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segunda-feira, 15 de março de 2010

Sim Neymar, a soberba precede a queda

Por: Leandro Carneiro


Pensar no título desse texto não é nada difícil. A famosa frase resume exatamente o que abateu o Santos na Vila Belmiro no último fim de semana. Soberba, esse é o problema.

Se Neymar não tivesse esbanjado tanta soberba teria feito o terceiro, o quarto, e hoje, o Santos não estaria amargando uma derrota perante ao Palmeiras, e talvez entrasse para a história com outra linda goleada.

Motivo de tanta certeza? O time do Palmeiras é limitado, fraco e estava abatido no jogo após os 2 a 0. No entanto, o Santos acha que é sua equipe é formada por Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Longe disso. A realidade que aflora o Santos é que o grupo é composto por futuros craques que precisam abaixar a bola agora para ser alguém lá na frente. Não, não estou limitando esse texto ao simples direito de passar o pé sobre a pelota menosprezando ou fazendo o gol, e sim na soberba mesmo.

O Santos é objetivo? É. É formado por excelentes jogadores? É. Tem craques? Tem. No entanto, não tem o melhor time do Mundo, nem do Brasil, por isso tem de fazer gols quando está vencendo se quer mesmo a vitória. Jogar o futebol mais bonito não significa que vai entrar em campo e fazer milhões de gols com lances de pura soberba, arrogância e prepotência.

Futebol bonito já foi sinônimo de derrotas no país, infelizmente. Lembrem-se da Copa do Mundo de 1982. Não quero repreender o futebol arte, pois acho que falta, e muito, brilho no esporte nacional, mas o Santos não tem moral para apostar de quanto será a goleada antes de entrar em campo.

O elenco ainda não é formado apenas por craques. Tem muitos defeitos, como uma defesa frágil, as laterais improvisadas. No entanto, o principal problema é não conseguir dar espetáculo atrás do marcador.

Ontem contra o Palmeiras, semana passada contra a Portuguesa. A arte e a soberba viram preocupação excessiva quando o resultado é adverso, afinal, ninguém do Santos cogita, no vestiário, que a equipe possa ficar nessa situação. Pura soberba...
Imagem:
Divulgação/Site oficial

sexta-feira, 12 de março de 2010

A dura vida dos atacantes

Por: Juliano Macedo


O atacante é o homem mais decisivo no futebol. Ele tem o poder de decidir uma partida. A favor, se marcar os gols. Ou contra, se perdê-los. Convive com a pressão da torcida, do técnico, dos próprios companheiros de time e da imprensa. Encara fortes retrancas, zagueiros botinudos e bons goleiros. Não fosse tudo isso, ainda tem de encarar o árbitro, que muitas vezes não marca as faltas e os pênaltis que sofre. Tem atacante de todos os tipos, desde os artilheiros, passando pelos eficientes, pelos importantes taticamente, os cai-cais, os ruins e também os grossos.

Escrevo esse texto essa semana, pois um fato tem chamado a atenção. Ronaldo, atacante do Corinthians, é idolatrado por onde passa. Recebe honrarias e é paparicado por todos. É óbvio que fez por merecer tudo isso. Construiu uma carreira brilhante, jogou em clubes grandes e se tornou um ídolo mundial. Até embaixador da ONU o fenômeno é. Mas com o tempo, as lesões e sua vida social se tornaram seus grandes adversários. Ninguém apostava nenhuma ficha no atacante. Até o dia em que ele desembarcou no Corinthians disposto a mudar e voltar a ser o grande atacante que sempre foi. E conseguiu. Como não podia deixar de ser, novamente de forma brilhante.

Com a camisa alvinegra, Ronaldo fez gols, deus assistências e brilhou em 2009. Comandou o Corinthians na conquista do Campeonato Paulista de forma invicta e também no título da Copa do Brasil. Logo, aqueles que eram fãs do Fenômeno por suas atuações com a camisa brasileira, o colocaram num patamar de ídolo da nação corintiana também. Um ano perfeito e as expectativas para 2010 não podiam ser melhores.

Enquanto isso, o São Paulo contratava o atacante Washington. Velho conhecido, experiente e fazedor de gols por onde passou. Artilheiro na Ponte Preta, no Atlético-PR, no exterior e no Fluminense. Era a hora de provar o seu valor num grande clube paulista. O São Paulo foi eliminado no Paulistão e na Libertadores e, Washington, que veio para ser ídolo, se tornou vilão. Continuou fazendo seus gols e perdendo outros tantos. A torcida começou a pegar no seu pé e até para o banco de reservas ele foi. O São Paulo também não conseguiu vencer o Campeonato Brasileiro e por pouco Washington não foi negociado. Renovou seu contrato para 2010 e também suas esperanças.

O tão falado ano de 2010 começou e as coisas se inverteram. Ronaldo ainda não conseguiu entrar em forma e aparentemente está pior fisicamente do que no ano passado. Talvez não mais gordo, mas com certeza, mais lento. Ainda não brilhou e já começaram as críticas e até os pedidos para que ele vá curtir uma temporada ao lado de Mano Menezes no banco. Já Washington, começou o ano como terminou, errando muitos gols, mas também sendo mais decisivo do que antes. Até o momento, o atacante são paulino disputou 12 jogos e fez nove gols. Uma boa marca. Poderia ser melhor? É claro que sim, mas aos poucos a torcida do São Paulo, que certas vezes se irrita como o caneludo Washington, também comemora os gols importantes do 'Coração Valente' em tantas oportunidade.

Realmente a vida dos atacantes não é fácil. O que hoje está perfeito, amanhã pode se tornar uma tormenta. Em nenhum momento comparo a qualidade técnica de Ronaldo com Washington. Não seria tão louco para isso. Mas o engraçado é que enquanto um é decisivo hoje e outro estagnou, amanhã o quadro pode se inverter novamente. E o ciclo continuará. A perseguição ao camisa 9 é intensa e eterna. Mas quando a fase é boa, se transforma no jogador mais importante da equipe.

Montagem: Juliano Macedo

segunda-feira, 1 de março de 2010

Taticamente, o clássico na Vila também foi interessante

Por: Raoni David
Além de um clássico bem jogado, tenso e tumultuado, Santos e Corinthians fizeram uma partida bastante interessante taticamente na vitória por 2 a 1 do time da Vila Belmiro, em casa, pela 11ª rodada do Campeonato Paulista.

A única semelhança entre as equipes neste sentido, era na defesa, já que Dorival Júnior e Mano Menezes optaram por ter uma linha de quatro defensores que não subiam tanto. Assim como na Europa, os laterais ficaram presos, preocupados especialmente com a marcação. Roberto Brum, Pará, Alessandro e Roberto Carlos eram incumbidos de marcar os ataques adversários.

Isso porque ambas as equipes cogitavam entrar com três atacantes. O Corinthians o fez, com Jorge Henrique, Dentinho e Ronaldo. Já o Santos não. Dorival Júnior preferiu escalar Marquinhos na vaga de Madson. Com isso perdeu em velocidade e ganhou em inteligência e o jogo.

Enquanto o quarteto defensivo santista tomava conta do trio ofensivo corintiano, Ralf se perdia com a movimentação de PH Ganso e Neymar. Elias auxiliava o único volante que ficaria à frente de Chicão e William. Mas Wesley, e por vezes Arouca, acuavam além dos dois volantes, o homem que deveria criar as jogadas: Tcheco.

Desta maneira, Neymar flutuava entre o meio de campo e a defesa corintiana, dando opções, com muita mobilidade, para receber passes de PH Ganso e Marquinhos, que dominaram as ações criativas do jogo. Basta ver os lances dos gols, as oportunidades que o Santos perdeu, e ainda a jogada em que Marquinhos sofreu o pênalti para comprovar tudo isso.

Então o Corinthians nada criou? Sim, criou. Mas muito mais na base da vontade e da qualidade individual que da organização tática. Mano tentou mudar ao colocar Moacir na vaga de Alessandro e Jucilei no lugar de Ralf. Ambos sobem mais ao ataque que os companheiros que deixaram o gramado.

Mas o lateral logo foi expulso justamente. A expulsão do outro lateral é discutível, mas curiosamente, quando tinha jogadores a menos, foi quando o Corinthians apresentou algum tipo de jogada. Dentinho foi até a ponta direita e fez pelo menos três boas jogadas. Germano entrou justamente para anular essa jogada.

Mesmo assim o jovem atacante corintiano ainda incomodava. Até que Mano Menezes cometeu, talvez, o único erro de um treinador na partida, ao tirar o autor do gol corintiano para a entrada de Iarley. Com dois a menos, por mais que o talendo de Ronaldo seja imprescindível, seria importante contar com dois jogadores de velocidade, e que sabem entrar na área para finalizar.

Enquanto isso, o Santos brincava com a bola, prendendo-a de forma equivocada no seu campo de ataque. O equívoco dos habilidosos meninos da Vila quase custou caro, quando o goleiro Felipe falhou e Tcheco perdeu gol incrível.

No final, venceu a equipe que procurou jogar mais futebol e apesar da confusa arbitragem, o Corinthians não tem do que reclamar. Aos meninos santistas fica o alerta de que numa decisão de campeonato, o time não pode brincar tanto quanto no clássico deste último domingo. O resto é conversa mole!

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Qualidade à parte, o Campeonato Paulista da Série A2 está empolgante

Por: Raoni David

Em questão de qualidade de futebol, não espere ver o fino na disputa do Campeonato Paulista da Série A2. Mas, em termos de emoção e competitividade, o campeonato se garante. Equipes tradicionais se misturam às emergentes, jovens valores aos veteranos e com isso, faltam equipes favoritas ao rebaixamento. Sobram as que podem lutar pelo acesso.

Antes de começar a competição, muitos já previam a possibilidade de se tratar da melhor edição da Série A2 de todos os tempos. Primeiro, pela presença de equipes que nos acostumamos a ver na Série A1 como América, Noroeste, São Bento, Guaratinguetá, Marília, São José, União Barbarense e União São João. Sem falar no Guarani, que na temporada passada conseguiu o acesso para a Série A do Campeonato Brasileiro.

Entre os emergentes, PAEC, Votoraty e São Bernardo, que nunca estiveram na elite, despontavam como equipes que poderiam complicar as coisas. Além deles, Atlético Sorocaba, Linense, Catanduvense e Rio Preto, times que em outras oportunidades já estiveram entre os grandes, surgiam também como pretendentes.

Depois de oito rodadas, as expectativas se comprovam, e o campeonato promete muita emoção desde já, até a reta final para a definição do G8 e também da zona de rebaixamento.

Para começar, o Guarani, grande favorito, nem está entre os oito melhores, é apenas o 12º e já se preocupa com o rebaixamento, assim como o São Bernardo, uma das equipes que mais investiu para a disputa, e que já até trocou de treinador. O Marília só entrou no G8 na sétima rodada e o Votoraty, campeão da Série A3 e da Copa Paulista do ano passado, é apenas o oitavo colocado.

Ao mesmo tempo, times que não estavam tão badalados assim como União São João e Linense, ponteiam a competição com campanhas irrepreensíveis. O São Bento está em franca ascensão e depois de frequentar a zona de rebaixamento, termina a segunda rodada consecutiva no G8. Lá embaixo, Taquaritinga e Grêmio Osasco também correspondem ao que era esperado deles e frequentam a zona de rebaixamento quase que ininterruptamente nas oito rodadas.

Na artilharia, o destaque é Fausto, atacante do Linense que fez boa temporada em 2009, e tem um bom início neste ano. Em sete jogos, marcou dez gols.

Com tantas possibilidades, a disputa pelo G8 e contra o rebaixamento, promete ser acirrada nas últimas 11 rodadas, e nem assim, os estádios estão lotados. Mas este é um tema para outra postagem...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O 'rodízio' de jogadores no início da temporada surte efeito?

Por: Juliano Macedo

Todo início de temporada é a mesma história. Os reforços vão chegando com a pré-temporada em andamento e outros chegam até mesmo durante os campeonatos estaduais. E sempre um assunto é abordado pelos treinadores: usar o time reserva ou o titular nas primeiras partidas? É o famoso 'rodízio' de atletas, tática muito adotada pelos clubes brasileiros nas últimas temporadas.

Sempre esse assunto gera muita discussão e polêmica. Os treinadores defendem o rodízio alegando que as contusões nos primeiros jogos são iminentes e que o foco é sempre a outra competição do semestre que não o campeonato estadual, no caso, a Copa do Brasil ou a Libertadores. Os jornalistas e torcedores, por sua vez, acham pura balela essa história de rodízio de jogadores. Crêem que os atletas de futebol ganham muito e devem estar aptos para a prática esportiva durante todo o ano. Aliás, os torcedores são os críticos mais ferrenhos sobre o tal rodízio, já que por pagarem ingressos caros e muitas vezes se acomodarem em instalações sem nenhuma infra-estrutura nos estádios pelo Brasil afora, acham que têm o direito de ver os principais jogadores em campo. Quem tem a razão? Essa é uma boa pergunta e traçarei um parâmetro abaixo.

O Campeonato Paulista perdeu sua força e os clubes do interior cada vez mais nos mostram que não têm condições de fazer frente aos 'grandes'. Mas isso não significa que os jogos são fáceis e sempre terminam com goleada para os clubes mais tradicionais. Sendo assim, o Palmeiras, que por ter vacilado demais no Campeonato Brasileiro do ano passado e não ter ficado sequer com a vaga na Libertadores, começou o ano imaginando utilizar o Paulistão como preparação para a Copa do Brasil. E é claro, se possível conquistar o título para tirar a pressão dos jogadores e acalmar a torcida e os dirigentes. Portanto, Muricy Ramalho vêm utilizando o que tem de melhor nas partidas do estadual. Ou seja, a fórmula que a imprensa e os torcedores tanto defendem. Mas mesmo sem adotar o rodízio, em apenas seis jogos do Paulistão, o Palmeiras se encontra no modesto 7° lugar e as cobranças já começam a preocupar o treinador e seus comandados.

O Santos, com o mesmo pensamento que o Palmeiras para o primeiro semestre, tem jogado com o time titular e faz o caminho inverso. A garotada comandada por Neymar e Paulo Henrique Ganso tem apresentado um futebol rápido e de qualidade, tanto que o Peixe está na ponta da tabela. Com a chegada de Robinho, o torcedor santista já imagina que o primeiro semestre pode ser maravilhoso para a equipe.

Enquanto isso, Corinthians e São Paulo só pensam na Libertadores e os treinadores apostaram no esquema do rodízio. Mesmo com jogadores desentrosados e longe da melhor forma física, os clubes paulistanos vão dando conta do recado. Mesmo sem um futebol convincente, as torcidas e, principalmente, os dirigentes, apoiam os comandantes e crêem que essa é a melhor forma de se planejar para uma competição difícil e longa como a Libertadores.

Essa discussão sempre será erguida nos inícios de temporada, mas o que de fato se pode afirmar é que o rodízio realmente pode surtir efeito a longa distância, com jogadores em melhores condições físicas, mais entrosados e com riscos menores de lesões. Não creio que o tal rodízio seja fundamental para a conquista de títulos. Ele pode ser importante, mas não determinante. O Santos e o Palmeiras podem ser campeões do Paulistão e da Copa do Brasil sem ter feito rodízio, como o são paulinos e corintianos podem ficar sem a Libertadores mesmo preservando seus atletas. É uma questão de planejamento, mas que, até pela falta de assunto nos dois primeiros meses do ano, a mídia e os torcedores usam como pilar para discussões do tão falado futebol brasileiro.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Meninos da Vila x Garotos da Academia

Por: Fausto Monteiro


Como todo o início de ano, todas as atenções estão voltadas para as contratações dos grandes de São Paulo. Corinthians e SP, como de costume, buscaram se reforçar para o torneio mais esperado, a Copa Libertadores da América. Mas e o Santos e o Palmeiras?


Exceto o retorno de Robinho (que deve durar até a Copa do Mundo, SE ele deixar de ser aquela eterna promessa, na minha humilde opinião, já que ele nunca ganhou nada fora do Brasil), os dois times não fizeram grandes contratações. O Geovani poderia ser considerada uma, mas devido sua idade elevada, não o classifico assim, apesar de que seu domínio e toque de bola me encherem os olhos.


Do Palmeiras então, nem se fala. O clube não contratou praticamente ninguém e precisa urgentemente de um atacante. Dizem que esse silêncio palmeirense no mercado da bola é por causa da Traffic, que estaria dando o troco em decorrência da não escalação de jogadores da empresa pelo técnico Muricy Ramalho. Um exemplo é o meio-campista Marquinhos, que esboçou ganhar um espaço no time, mas agora mal escuto seu nome.


Com isso, o que restam aos clubes? Abrir os olhos para sua "rica" categoria de base. É aí que vem a grande diferença. De um lado temos o Santos, campeão paulista Sub 20 em 2007 e 2008 e com promessas já esteriotipadas como craques. E de outro, o Palmeiras, sim, campeão paulista Sub 20 de 2009, mas que segue com a sina da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Mas a grande diferença não são títulos e sim pelo modo com que esses jogadores estão sendo tratados.


No Santos, a preparação para lançar garotos como Neymar, Ganso e Alan Patrick vem sendo feita há anos para se consolidar de fato em 2010 (principalmente no caso de Neymar). E eles são considerados uma parte essencial do elenco. E no Palmeiras? Na falta de recursos, Muricy Ramalho vai pincelando os garotos e os colocando em fogueiras, como no caso do clássico contra o Corinthians.


Por isso, se continuar assim a situação do Palmeiras, o Santos aparece como principal candidato ao título paulista. São Paulo e Corinthians disputarão a Copa Libertadores da América e já fizeram questão de colocar seus elencos reservas para se entrosar. Nessa, Robinho e Neymar parecem ter seu caminho livre para fazerem suas molecagens. Contudo, isso são apenas previsões. O Santos pode corresponder à minha expectativa ou morrer na praia.


Imagem
Fábio Maradei/Site oficial do Santos



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