sábado, 18 de julho de 2009

Gre-Nal: 100 Anos de histórias

Por: Bruno ZanetteO ano era 1909. A diretoria do Grêmio estava reunida em sua sede, no centro de Porto Alegre, naquele 21 de junho. O presidente do então clube gremista, prestes a completar seis anos, era o major Augusto Kock. Tudo corria tranquilo em mais um dia de trabalho, quando receberam a visita de três homens com uma proposta.

Tratava-se dos irmãos Henrique e José, além do primo Luís, da família Poppe. Os três vieram de São Paulo e no dia 04 de abril haviam fundado um time de futebol, o Sport Club Internacional. Queriam propor aos diretores gremistas um duelo. Augusto Kock, fazendo pouco caso da questão, ofereceu o segundo quadro do Grêmio. Os diretores colorados, sentindo-se ofendidos, recusaram, queriam enfrentar o time titular! Kock, gentilmente aceitou.

Como quase todas as partidas eram seguidas por um baile, havia despesas, que a família Poppe gostaria de pagar, mas Kock recusou, pois o jogo seria no Fortim da Baixada, antigo estádio do Grêmio e, por isso, quem deveria pagar, era o tricolor gaúcho. Os dois acabaram aceitando dividir as contas.

Estava acertado o primeiro Gre-Nal da história, disputado no dia 18 de julho de 1909, com o extenso placar de 10 a 0 para o Grêmio. De lá pra cá foram disputados 376 Gre-Nais, com 141 vitórias coloradas, 118 gremistas e 117 empates. 538 gols foram marcados pelo Inter, 499 pelo tricolor gaúcho. É, sem dúvidas, o maior clássico do futebol brasileiro, capaz de dividir um estado inteiro, entre azul e vermelho. E em 100 anos de história, há muitas partidas inesquecíveis.

Uma delas foi o “Gre-Nal de Farroupilha”, disputado no dia 22 de setembro de 1935, comemorando o centenário da Revolução Farroupilha. A partida era válida pela última rodada do Campeonato Citadino, e o Inter chegara à decisão, um ponto à frente do Grêmio. Ou seja, um empate bastava para os colorados erguerem a taça. Foi também o último jogo do inesquecível goleiro Eurico Lara, com a camiseta do Grêmio. Ele saiu no intervalo da partida, quando o placar ainda estava zerado, reclamando de dores no peito. Falecera um mês depois, aos 37 anos.

No segundo tempo, Chico entrara no lugar de Lara e já se passava dos 40 minutos, ninguém havia marcado um gol sequer. Foi quando, numa cobrança de falta de Mascarenhas, o zagueiro Risada, do Internacional, rebateu a bola nos pés de Foguinho, que fuzilou as redes, fazendo 1 a 0 para o tricolor. Logo em seguida veio o segundo, marcado por Laci. E com 2 a 0, o Grêmio assegurou o título.

Durante os anos 40 o Inter esteve com certo domínio, aumentado no final dos anos 60 e meados da década de 70. Foi no Gre-Nal de 1977 que o Grêmio, comandado por Telê Santana, pôs fim à sequência de títulos colorados (sete seguidos) e na vitória por 1 a 0 no Olímpico, gol marcado por André Catimba, o que mais ficou lembrado foi a cambalhota mal executada por Catimba, na comemoração do gol. O atacante gremista sentiu uma fisgada no meio da comemoração, e sem tempo de reação, caiu de cara ao chão, estatelado no gramado.

Em 12 de fevereiro de 1989 houve o chamado “Gre-Nal do Século”, válido pela semifinal do Campeonato Brasileiro de 1988 (antigamente, os calendários da CBF eram mais confusos que os próprios cartolas que os comandava). Na ocasião, o Internacional venceu de virada por 2 a 1, com um jogador a menos durante quase toda a partida (Casemiro fora expulso ainda no primeiro tempo). Marcos Vinícius abriu o placar para o Grêmio, mas Nilson marcou duas vezes e foi o grande herói da partida. Foi o clássico com maior número de pagantes, mais de 78 mil. Mas na decisão, o Inter perdeu o título para o Bahia.

O primeiro Gre-Nal por um torneio de fato internacional foi na Copa Sul-Americana de 2004, onde na primeira partida o Inter venceu por 2 a 0 e no jogo de volta perdera por 2 a 1, mas o gol marcado no estádio Olímpico classificou a equipe colorada.

As duas equipes chegam para o clássico 377 deste domingo (19) com muita confiança, embora tenham desfalques importantes. Por suspensão, não jogam pelo colorado Glaydson e Magrão. Bolívar retorna à equipe. Sandro, após se recuperar de lesão, retornou aos treinamentos e deverá começar o jogo, no esquema 3-5-2, implantado pelo técnico Tite, além de D’Alessandro, que volta após conseguir um efeito suspensivo.

No lado gremista, três boas novidades. São as voltas dos atacantes Herrera e Maxi López, além do zagueiro Réver, que fará dupla de zaga com Rafael Marques, já que Léo está suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Também retorna o meio-campo Souza, que cumpriu suspensão na derrota para o Coritiba por 2 a 1. A única dúvida é na lateral direita, já que Thiego fora expulso contra o Coxa. Joilson deverá começar por lá. No ataque também não há certezas, pois Jonas vem atuando bem e pode começar como titular ao lado de Maxi López.

Assim como todo Gre-Nal, este também tem sua importância, não apenas por ser o “Gre-Nal do Centenário”. Os dois times vêm em ascensão no campeonato, com o Grêmio não tendo demonstrado tristeza pela perda da Libertadores, nem o Inter pela Copa do Brasil. Aliás, a equipe colorada tentará fazer de tudo para conquistar o Brasileirão, que já não vem há um bom tempo, e justo no ano em que o clube completa 100 anos de existência. Nada como um Gre-Nal para animar o Rio Grande do Sul.


Imagens:
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4 comentários:

Bruno Zanette disse...

Nota do autor: O técnico Paulo Autuori confirmou a dupla de ataque gremista com os argentinos Herrera e Maxi López.

Bruno Zanette disse...

E foram oito títulos seguidos que o Inter tinha até 1977; portanto, o gol de André Catimba evitou o nono título colorado.

Esteban disse...

un clasico muy caliente el de Porto Alegre... yo creo que de los mas calientes del país
saludos
http://d-coleccion.blogspot.com/

Brunna Duarte disse...

Oi Bruh! Estou passando por aqui para te dar os parabéns pela matéria... você vai longe, meu sempre querido! Beijos!

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