segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Desnecessário

Por: Lincoln Chaves

O clássico Gre-Nal foi apontado, em reportagem da revista Trivela, em 2008, a partir de entrevistas com jornalistas dos principais meios de comunicação esportivos do País, como o mais acirrado duelo do futebol brasileiro. Com razão de ser. Reúne dois times campeões da América e Mundiais, capazes de dividir uma metrópole como Porto Alegre, um dos centros mais desenvolvidos do Brasil. Até por isso, o que se viu no Gre-Nal 384, disputado no último domingo, pelo Campeonato Gaúcho, foi uma aberração à história do clássico.

Não se fala nem tanto da opção, por parte de gremistas e colorados, de mandarem a campo seus times reservas. Tal atitude, por si só, demonstra o quão desvalorizado está o Gauchão e o calendário do futebol nacional. No entanto, saltam aos olhos erros administrativos da própria Federação Gaúcha de Futebol (FGF). Vejamos: o Grêmio tem confronto decisivo por vaga na Libertadores nesta quarta. A atenção tricolor, naturalmente, está toda voltada ao torneio sul-americano. Mais: com o intuito de promover o campeonato do Estado, leva-se a partida para Rivera, cidade uruguaia que é divisa com o Rio Grande do Sul.

Nada contra o clássico ocorrer em território uruguaio. Pelo contrário. Na Libertadores de 2010, quando enfrentou o Cerro-URU, o Inter teve esmagadora maioria no estádio local, mesmo como time visitante. Ou seja: conduzir o jogo para aquelas bandas seria uma experiência bastante interessante, útil não somente para difundir o clássico, mas o próprio Gauchão. Mas o momento em questão era totalmente inapropriado, e poderia ser muito bem revisto pela FGF, em parceria com gremistas e colorados. Não se trata de nenhuma fórmula mirabolante ou científica. Tratava-se apenas de bom senso.

O que vale mais, se o objetivo em questão é o marketing? Ter Grêmio e Inter completos (afinal, sem a proximidade de um jogo como o de quarta, ante o Liverpool-URU, o tricolor fatalmente mandaria seu time principal a campo, o que motivaria os Colorados a também virem para Rivera com suas melhores peças) na partida, proporcionando aos torcedores lances dignos do clássico? Ou ter o jogo em Rivera simplesmente pela necessidade prévia de realizá-lo, com times esvaziados e estádio mais deserto ainda?

Foi constrangedor assistir a um Gre-Nal com tantos bancos vazios. Nem nos clássicos recentes em que as duas equipes se enfrentaram, por torneios de base no interior do Rio Grande do Sul (Copa Santiago e Epifan, em Alegrete) as arquibancadas estavam dessa forma. O resultado é claro: o público oficial não foi anunciado, mas as rádios de Porto Alegre indicavam que cerca de 6 a 7 mil pessoas compareceram à partida. Tendo em vista que, de acordo com o presidente da FGF, Francisco Noveletto, o mínimo de público aguardado para que não houvesse prejuízos na organização do confronto era de 12 mil pagantes, não é preciso refletir muito para entender que a máxima "a pressa é inimiga da perfeição", mais uma vez, é válida.

Imagem:
Alexandre Lopes / Internacional.com.br

3 comentários:

Sabrina Machado disse...

Acho que os gaúchos foram limitados, Lincoln...rsrsrs

Seja bem-vindo! Você começou com o é direito e estreou a polêmica no blog.

Realmente, não sei como se promove um clássico recheado de reservas e no qual nem o técnico de um time tem a vontade de comparecer!

Beijão

Raissa Póvoa disse...

é não da para imaginar um clássico como este tão desvalorizado... MAS, INFELIZMENTE, é o retrato de todos os clássicos brasileiros.
blog atualizado.... passa lah..
beijos

Rafael Zito disse...

Lincoln... seja bem vindo.

Cara, realmente a data deste confronto foi mto inapropriada. A FGF vacilou no calendário e diminuiu o maior clássico do futebol brasileiro.

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