quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dunga adota postura de “General” e resgata discurso patriótico

Por: Rafael Zito
Na terça-feira, o técnico Dunga divulgou a lista com seus 23 escolhidos para representar o Brasil na Copa do Mundo da África do Sul. Após o anúncio dos nomes, o treinador concedeu entrevista coletiva e fez uso de discursos ridículos para justificar suas posições. Não quero entrar em detalhes com relação aos convocados. Quero me aprofundar em outra questão. Durante sua retórica, o treinador citou “comprometimento”, “atitude”, “paixão”, “emoção” e a “realização do sonho de vestir a camisa da seleção” como fatores determinantes para justificar a convocação dos jogadores que carimbaram seus passaportes para o Mundial. O que me intriga é que em nenhum momento a qualidade técnica foi colocada como parâmetro. Onde que fica a parte técnica nessa análise de Dunga? Pelo jeito esse quesito não foi levado em conta pelo comandante.

Na década de 60, a ditadura militar implantou um discurso para as pessoas que falavam mal do Brasil. O slogan era: “Brasil: ame-o ou deixe-o”. Resgatando essa época, o “General” Dunga apelou para o patriotismo, para a tal “pátria de chuteiras”. Considero patética a postura de Dunga e não sou um adepto do dunguismo, expressão muito bem aplicada pelo jornalista Mauro César Pereira, da ESPN Brasil. Antes de escrever este texto, eu li o blog do Mauro e pincei um trecho que considero interessante para deixar como reflexão: “...quem não torce loucamente pelo time da CBF é menos brasileiro do que aqueles que se descabelam pelo dunguismo? Não, essa eu não aceito, professor”.

O jornalista foi mais além em sua crítica e questionou esse grotesco discurso patriótico. “Se a turma do ‘panetone’ passar a Copa vestida de amarelo e festejando cada gol, isso não fará desses elementos bons brasileiros. Pátria de chuteiras em pleno século 21? O mesmo discurso quatro décadas depois? Não, obrigado. Seleção é apenas um time de futebol. Ninguém é obrigado a torcer por ela, tampouco pode ser atacado por não adotar tal comportamento. Jornalistas devem informar e analisar. Imprensa não existe para apoiar nada, e ninguém dá resposta aos críticos”, completou.

Há tempos sou da opinião que o futebol é apenas um esporte. Hino nacional antes dos jogos e posicionamentos ufanistas não estão com nada. Sou brasileiro. Torço pela seleção brasileira, mas, nem por isso, vou deixar de ter meu olhar crítico. Não vou fechar os olhos, ignorar as evidências e sair por aí cantarolando “vamos todos juntos pra frente Brasil. Salve a Seleção”. Peço desculpas, mas comigo isso não cola. Além de torcedor, sou jornalista e, como tal, tenho o dever de fazer meu papel que é informar à sociedade e apresentar o outro lado dos fatos, já que a parte “maravilhosa” do país em que “tudo funciona” já tem gente da imprensa encarregada de fazer e que faz com muita eficiência.

Confira agora outro trecho da coletiva do Dunga. Percebam que, definitivamente, o apelo pelo “amor à pátria” é colocado como prioridade. “Todos que estão na Seleção estão preparados e prontos para se doar pelo nosso país... torçam pelo nosso país”. A mensagem enviada ao público é a seguinte: quem está criticando é porque está contra o Brasil. O “professor” tem como público-alvo a grande massa alienada que embarca no que é veiculado pela imprensa ufanista e seus “pachecos” de plantão. Eu, como muitos outros, sou jornalista e, como profissional, não vou encabeçar a lista de quem deixa de lado seu senso crítico para mergulhar no oba-oba em prol de um país unido por um objetivo em comum.

Imagem:
Dunga - AP

3 comentários:

Lucas Renato disse...

Recentemente, o C. A. Parreira concedeu uma entrevista na qual ele expunha que, na Copa de 2006, pelo fato de muitos jogadores já terem sido campeões mundiais, faltava "fome" para o time brasileiro. E, por isso, faltou alguma coisinha para sermos campeões.

Acho que o Dunga se refere a esse fato. Quem está na seleção, tem que demonstrar vontade, aquele apetite que leva à vitória.

E, em relação a isso, o Dunga está coberto de razão. Uma coisa ninguém pode dizer: que não há comprometimento entre os 23 jogadores que estão indo para a África.

Agora, voltando aos critérios técnicos, está mais do que evidente que temos volantes demais.

Ramires, Elano, Julio Batista e Kléberson são jogadores relativamente parecidos.

Pelo amor de Deus: tira um deles e coloca o Ganso. Esse menino não tinha que estar no grupo da Copa. Ele tinha que ser titular. Ele, Júlio César e mais 9.

Abraços para a galera do blog.

Jurubeba disse...

Primeiro, parabéns pelo texto!!

Sabe o que um comentarista da tv falou um dia desses? "a seleção tem mais volantes que um grid de fórmula 1."

Acho que o Dunga fez uma convocação de acordo com o que ele pensa, alguns nomes não são questionáveis e sei que muitos ali darão o sangue para ganhar os jogos.

Eu não gostei da coletiva do Dunga! Não gostei do que ele disse e nem da postura do Jorginho!

Quantos aos questionamentos em relação aos jogadores, acho que poderíamos ter alguns mais talentosos, principalmente no banco... bem, o que eu acho parece que a maior parte do Brasil acha também.

A não convocação do Ganso talvez tenha sido a pior decisão do Dunga.
E eu levaria o Ronaldinho Gaúcho tb!

Sabrina Machado disse...

Se fosse para levar jogadores com vontade e comprometimento apenas...era só contratar um palestrante motivacional e uma psicóloga.

Técnico de uma seleção tem a obrigação de levar os melhores jogadores do país.

Não importa se fulano nunca jogou com a amarelinha, ou se a mídia e o povo pedia para nunca mais convocar beltrano.

O treinador da seleção não pode se embasar no último fracasso e fazer o oposto do que fizeram.

Não vai faltar esse tal de comprometimento e vontade para esse grupo. Até porque muitos desses jogadores têm a consciência que só jogam na era Dunga, pois não têm a mesma qualidade de um Ganso, Ronaldinho Gaúcho, Hernanes, Elias, Diego, Alex e tantos outros que não posso citar, senão termino o comentário só amanhã!

Vai ser difícil ver a seleção em uma situação adversa e gritar: "Dunga, coloca o...o...o.."

Por quem vamos clamar?

Em 2006, pedíamos por Robinho, Juninho e Fred...

Em 2002, pedíamos Kaká e Denílson...

Com todo respeito aos reservas do Dunga, mas acho que só vou pedir alguém no desespero...

Ainda bem que a ditadura desse senhor está no fim...

O Brasil pode ser campeão da Copa sim...mas eu não apostaria nessa seleção!

Será difícil ver o Brasil não jogar como Brasil...Tocar a bola sem brilho, sem categoria, esperar jogadas diferentes de apenas 2 jogadores é muito triste para uma seleção que tem o plantel como a nossa.

É possível fazer formações de meio campo melhores do que da seleção só com os jogadores que Dunga não convocou.

Mas vamos ter que aguentar os tantos volantes que jogam do mesmo jeito...

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