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terça-feira, 15 de março de 2011

Clássicos decisivos. Ou não.

Por Lincoln Chaves


Campeonato Brasileiro de 2009. Última rodada, Maracanã. Flamengo, líder da competição, enfrenta o Grêmio. No Beira-Rio, alguns tantos quilômetros de lá, o Internacional, rival gremista, encara o Santo André. Aos cariocas, a vitória garantia o título. O empate mantinha acesa a esperança colorada, caso os gaúchos superassem o time do interior paulista. No Sul, o Inter patrolava o adversário. No Rio, o Flamengo encontrava dificuldades contra um Grêmio reserva.

Peraí... Reserva? Sim. O Tricolor estava fora da briga pela Libertadores, estava classificado à insossa Copa Sul-Americana e não brigava contra o rebaixamento. Mas o principal não estava aí, mas no fato de, em partida paralela, o rival Inter poder se sagrar campeão em caso de vitória dele, Grêmio. Para surpresa geral, os reservas gremistas abriram o placar com Roberson. Aplausos? Talvez de poucos tricolores A grande maioria estava revoltada com a "disposição" do time, que, naquele momento, dava o Brasileirão para o... Internacional!

Na segunda etapa, o Grêmio não jogou para perder, mas visivelmente tirou o pé, administrou o resultado. Mas perdeu: 2 a 1. A torcida gremista comemorou. Na concepção, não se estava dando o título ao Flamengo, mas "tirando" do Colorado, "devolvendo" uma suposta "entregada" vermelha em 2008, quando o clube do Beira-Rio levou ao Morumbi uma equipe reserva para enfrentar o São Paulo, que brigava diretamente com o Grêmio pelo título nacional.

O estranho cenário de 2009 se repetiu em 2010, de formas ainda mais preocupantes. O exemplo mais sugestivo se deu quando a torcida do Palmeiras vaiou incansavelmente o atacante Dinei por este ter aberto o placar para o próprio Verdão contra o Fluminense, na reta final do Brasileirão. Mas comemorou quando os cariocas viraram o placar e golearam. Motivo: o resultado aproximava o Flu do título e complicava a vida do Corinthians, rival palmeirense e que estava na luta pelo único caneco de seu centenário.

Sabem quando, embora tenhamos certeza que algo estranho ocorreu, queremos ver uma autoridade vir a público e admitir isso? A CBF não fez exatamente isso, mas ao levar à última rodada da competição TODOS os clássicos do Campeonato Brasileiro, estampou o carimbo de que acredita que houve "entregas" de clubes interessados em prejudicar rivais em jogos decisivos. Entregas tanto no jogo propriamente dito como nos bastidores, com a escalação de reservas visivelmente para "facilitiar" o serviço do adversário.

Colocar clássico na última rodada é solução? Difícil. O jornalista da ESPN Brasil, Leonardo Bertozzi, colocou, de cara, um problema claro: onde realizar os DOIS clássicos em São Paulo e Rio de Janeiro? Inverter o mando de São Paulo e Santos, previsto para o Morumbi no returno? Será que ainda é possível? Caso contrário, sejamos realistas: como colocar os quatro grandes paulistas a jogar NO MESMO DIA, NA MESMA CIDADE, e o principal - em uma rodada que pode ser decisiva a maioria deles - até mesmo a todos?

Que dirá então o imbróglio no Rio de Janeiro? Afinal, Flamengo e Vasco, Fluminense e Botafogo, terão somente um estádio para as duas partidas. E como será o processo, levando em conta que, na última rodada, os jogos se dão no mesmo horário? Quem ficará no Engenhão? Tudo dependerá, naturalmente, do andamento do campeonato. É possível que se chegue na ocasião com somente um ou dois deles brigando por algo. Ainda assim, e se estes times forem, por exemplo, Flamengo e Botafogo, que estarão em confrontos diferentes?

Não nos esqueçamos que podemos chegar à rodada final com boa parte desses duelos ocorrer sem nada em jogo. Não é impossível que algum desses times tenha que optar em se preparar para um Mundial de Clubes ou uma decisão de Sul-Americana (com vaga na pré-Libertadores) e fazer um clássico que não lhe adicionará em nada. E aí, é aquela história: por mais que a lógica possa apontar a preparação como prioritária, perder um clássico e acabar proporcionando algum benefício ao maior rival certamente não agradará à torcida.

São muitas interrogações, tantas quanto aquelas que surgem na cabeça quando lembramos que até agora, não se sabe quem transmitirá o Brasileirão. A RedeTV ganhou os direitos junto ao Clube dos 13, mas necessita da assinatura de todos os filiados para dar sequência ao processo - o que, a julgar pelas decisões de clubes como Corinthians e os cariocas em negociar separadamente com outras emissoras, não deverá ocorrer. Já vamos chegar nas fases finais dos principais Estaduais, com absolutamente NADA definido.

Curiosamente, vemos o futebol brasileiro esboçar novidades positivas no tocante aos clubes, com uma maior atenção ao marketing esportivo - ainda que se esteja engatinhando nisso, visto que o próprio produto esportivo Campeonato Brasileiro é pouquíssimo difundido lá fora - paralelamente a todas as indefinições que o permeiam. Por essas e outras, pensar em um momento em que avanços administrativos, ainda que graduais, comecem a caminhar juntos, permanece no universo do sonho.

Imagem:
Divulgação / Gremio1983.Wordpress.com

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

CBF em liquidação

Por: Melissa de Castro

Ontem a CBF surpreendeu muitos ao reconhecer, finalmente, o Flamengo como Campeão Brasileiro de 1987, título contestado por muitos e que até algumas horas pertencia, oficialmente, ao Sport. O reconhecimento do título do rubro-negro carioca, que agora divide a glória daquele ano com o leão pernambucano, se dá uma semana depois de a Caixa Econômica Federal realizar evento para a entrega da Taça das Bolinhas (troféu criado em 1975 para presentear o clube que alcançasse a façanha de ser campeão três vezes consecutivas ou cinco alternadas) ao São Paulo pelo pentacampeonato conquistado em 2008.



O imbróglio envolvendo o título de 1987 se deu porque naquele ano, os maiores clubes do País se reuniram para realizar a Copa União, diante da negativa da CBF em organizar o Campeonato Brasileiro daquele ano. Os clubes conseguiram patrocinadores e a competição aconteceu. No entanto, a CBF decidiu fazer uma disputa paralela, entre os times que ficaram de fora da seleção da Copa União. A partir daí, a instituição definiu que os dois primeiros colocados de ambos os campeonatos definiriam o título. Pela Copa União, Flamengo e Internacional; pela competição paralela, Sport e Guarani. O clube carioca se negou a participar e, com isso, o Sport foi considerado pela CBF o campeão de 1987 ao vencer o Guarani.



Não é de hoje que as decisões tomadas pela CBF de Ricardo Teixeira não se baseiam em fatos ou argumentos sólidos. São guiadas por interesses da instituição e de seu mandatário, meramente políticas. Dessa vez, com o reconhecimento do Flamengo hexacampeão – decidido em reunião com Patrícia Amorim, presidente do Flamengo, e Ricardo Teixeira -, tudo indica que o grande alicerce motivacional seriam os direitos de transmissão dos Campeonatos Brasileiros a partir de 2012, cujo edital está para ser publicado nos próximos dias.

Rede Globo, Record e Rede TV! disputam a concorrência. Ricardo Teixeira não esconde de ninguém que é a favor da permanência da Globo nas transmissões. O presidente do Clube dos 13, Fabio Koff, apoiado pelo presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, preferem a Record. Com o reconhecimento do Campeonato Brasileiro de 1987 a favor do Flamengo, Ricardo Teixeira adquire mais um aliado na guerra pelos direitos de transmissão e consegue maioria no Clube dos 13 – Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Coritiba, Goiás, Santos, Vasco e Vitória já manifestaram apoio ao cartola máximo do futebol brasileiro. O racha do Clube dos 13 parece iminente.


As decisões políticas de Ricardo Teixeira já começaram a dar o ar da graça no final de 2010. CBF promoveu uma liquidação em seus estoques de títulos, unificando as Taças Brasil e Roberto Gomes Pedrosa e transformando, assim, Santos e Palmeiras nas equipes que mais possuem títulos nacionais, com oito cada um.

Parece que os agrados aos clubes possuem interesse direto em questões de bastidores. Resta saber se o Flamengo se renderá à Taça da Bolinhas e, em agradecimento ao mandatário Ricardo Teixeira pela sua gentileza, o apoiará nas questões internas da instituição. E o Santos? Será que o time da baixada vai reivindicar seu direito sobre a famosa e disputada taça? Afinal, com a unificação dos títulos, o Santos é o primeiro time a conquistar os tais cinco títulos brasileiros. Juvenal Juvêncio terá que parar de “se deliciar” com as bolinhas e devolver o objeto de adoração? E o Sport, está feliz em dividir o título de Campeão Brasileiro de 1987 com o Flamengo? Quais ações serão tomadas pelo clube pernambucano a partir de agora?

Essas e muitas questões ainda procuram por respostas. Algo me diz que depois da decisão dos direitos de transmissão dos Brasileiros de 2012 a 2014 teremos mais surpresas.

Imagens:

1. O Globo
2. Diário de Pernambuco
3. Divulgação/CBF
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