sexta-feira, 31 de julho de 2009

Emoções no Foro Itálico continuam no 6º Dia do Campeonato Mundial de Natação

Por: Igor Trisuzzi
Após vencer os 100m livre na quinta-feira, César Cielo voltou ao Foro Itálico para provar mais uma vez que é o homem mais rápido do mundo dentro das piscinas. Durante a manhã de Roma, classificou para as semifinais dos 50m livre, a prova mais rápida da natação, com o melhor tempo e recorde de campeonato. Já no fim do dia, nadou perto de seu tempo da manhã, classificando com o quarto tempo. Ficou atrás apenas dos franceses Frederick Bousquet e Amaury Leveaux (primeiro, com recorde de campeonato, e terceiro respectivamente) além do croata Duje Draganja, que foi o segundo colocado.

Ao fim de sua série, César confessou que ainda estava sentindo a prova dos 100m livre, que lhe rendeu o ouro e o recorde mundial. A adrenalina não o deixou dormir durante a noite. Prometeu estar melhor neste sábado e buscar não só o ouro como o recorde mundial dos 50m livre também. Nicolas Santos passou para a semifinal, mas terminou em décimo e está fora da final.

Outro fato interessante da noite foi o empate na oitava colocação entre o nadador de Trinidad e Tobago, George Bovel III, e o da Hungria, Krisztian Takacs. No desempate, após o término das outras provas, Bovel venceu e simplesmente quebrou o recorde do campeonato. Teremos uma grande final amanhã!

Nos 200m peito tivemos o brasileiro Henrique Barbosa que nadou muito bem, sempre perto dos primeiros colocados. Mas, no fim da prova, não conseguiu segurar seu bom rendimento e terminou em sétimo. O ouro ficou com o húngaro Daniel Gyurta, a prata com o americano Eric Shanteau e o bronze com o lituano Giedrius Titenis. Na primeira semifinal dos 50m borboleta, Gabriela Silva terminou em quinto, quebrando o recorde sul-americano da prova. Na segunda série, Daynara de Paula (foto2) ficou em quarto, quebrou o recorde sul-americano e conseguindo classificar para a grande final deste sábado, com o sétimo tempo, enquanto Gabi ficou em décimo terceiro no geral. Na mesma série da Day, a sueca Therese Alshammar quebrou o recorde mundial da prova. Podemos esperar alguma coisa aí também!

Se o mito Michael Phelps havia conseguido se redimir, o mito Aaron Peirsol também conseguiu. Nos 200m costas, o norte-americano conseguiu novamente o ouro, tornando-se tetracampeão mundial consecutivo da prova, além de quebrar o recorde mundial. Assim como Phelps, Peirsol conseguiu se reerguer. Os grandes são assim.

Por falar em Phelps, o americano se classificou com o segundo melhor tempo nos 100m borboleta e ainda viu o sérvio Milorad Cavic quebrar seu recorde mundial. Gabriel Mangabeira, o Manga, conseguiu classificar com o sexto tempo. Será que o fenômeno Phelps será desbancado mais uma vez? Uma coisa é certa: ele terá que se superar novamente.

A maior decepção do dia, e uma das maiores do campeonato, ficou para a estadunidense Rebecca Soni, na prova dos 200m peito. A atual campeã olímpica e favorita para a prova utilizou uma tática “suicida”, atacando muitíssimo forte na primeira metade da prova e não conseguiu segurar seu ritmo. Assim, no fim da prova, ela perdeu a primeira posição para a sérvia Nadja Higl e não conseguiu segurar nem o segundo lugar, que terminou com a canadense Annamay Pierse, e nem o terceiro, que ficou com a austríaca Mirna Jukic, terminando assim em quarto lugar.

Nos 200m costas para mulheres, a nadadora do Zimbábue Kirsty Coventry confirmou o favoritismo e quebrou o recorde do campeonato, classificando para a final com o melhor tempo. A final será muito forte.

Na última prova do dia, o revezamento 4x200m livre, tivemos a reprise da maior disputa do campeonato até agora: Michael Phelps x Paul Biedermann. Ambos abriram seus respectivos revezamentos e, novamente, o alemão venceu (e com sobra) o americano. Mas os americanos, como um grupo, são muito fortes e conseguiram levar o ouro, com direito a quebra de recorde mundial por apenas um centésimo de segundo. Os russos ficaram com a prata e os australianos, que dominaram essa prova por muito tempo, completaram o pódio com o bronze. Já os alemães, que não têm outro nadador tão forte como Biedermann, terminaram com a modesta quinta colocação.

Neste sábado teremos novamente um dia muito cheio para os brasileiros, principalmente para os nossos velocistas. Tatiana Lemos e Flavia Delaroli nadarão as eliminatórias dos 50m livre; Tatiana Sakemi, a nossa Tuca, e Ana Carla Carvalho nadarão as do 50m peito; e Guilherme Guido e Daniel Orzechowski nadarão as do 50m costas. Nas finais, teremos o nosso César Cielo nos 50m livre, Daynara de Paula nos 50m borboleta, e Gabriel Mangabeira nos 100m borboleta. Além deles, teremos a equipe do revezamento feminino 4x100m medley, com grandes chances de se classificar para a final.

Quem sabe, neste sábado tenhamos mais um ouro para o Brasil. Ou até mais! Só nos resta torcer e mandar fortes vibrações para Roma!

Imagens:
César Cielo e Bousquet – Agência Reuters
Daynara de Paula – Satiro Sodré / CBDA
Gabriel Mangabeira – Agência AFP
Lochte, Walters, Berens, Phelps – Agência Getty Images

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O que fazer sem ele?

Por: Sabrina Machado

Diego Souza está provando que o dinheiro investido nele pela Traffic valeu à pena. O jogador, em ótima fase, é o principal responsável pela maravilhosa fase que o time Alviverde está passando. Mas e se ele for embora? Muricy não quer nem pensar na possibilidade de perdê-lo para um clube europeu e já tratou logo de conversar com o presidente da parceira palmeirense.

Porém, falta um pré-requisito para valorizarem o camisa 7 palmeirense à altura proporcional do dinheiro gasto pela Traffic para obtê-lo, a seleção brasileira. O novo técnico do Verdão já fez a sua campanha, boa parte da mídia também alimenta essa possibilidade. Mas o pragmático Dunga só listou uma mudança nos seus escolhidos (de sempre), Diego Tardelli.

Assim como todo palmeirense, quero que o Diego permaneça no time, pois sua perda decretaria o adeus para o título do Brasileiro. Mas é uma pena, ele não ser convocado para vestir a amarelinha, pois se ele continuar jogando do jeito que está não tenho dúvidas que é o único jogador capaz de substituir o unânime Kaká.

Sinceramente, a forma com que a seleção do Dunga joga não me agrada, mas os resultados do treinador queimam a minha língua. O Brasil é muito dependente do futebol do bambino, agora madrileno e não vejo nos escolhidos do capitão do Tetra alguém com características próximas de Kaká. Apesar de algumas vezes segurar demais a bola, o camisa 7 do Verdão parte para cima da defesa adversária, como o ex são paulino, chuta bem com os dois pés, tem bom passe e ainda sabe fazer gols de cabeça.

A meu ver, Diego Souza é o reserva perfeito para o camisa 10 da seleção. Nada pessoal, mas Julio Baptista não dá!

Imagem:
Nelson Almeida / UOL

César Cielo conquista o ouro e quebra o recorde mundial dos 100m livre

Por: Rafael ZitoO nadador brasileiro César Cielo voltou a fazer história nesta quarta-feira. Depois de conquistar a medalha de ouro nos 50m livre nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, Cielo é o novo campeão mundial da prova mais nobre da natação, os 100m livre. Cesão mostrou novamente que tem espírito de campeão, um atleta que se dedica ao extremo e, por isso, sabe da sua capacidade.

A piscina do Foro Itálico vibrou como se Cielo fosse mais um italiano que estivesse nadando. A emoção do brasileiro é sinônimo de objetivo cumprido, no entanto, um grande vencedor não se contenta, já que ele ainda cai na água para os 50m livre, prova que foi campeão olímpico, e tem tudo para se consagrar ainda mais.

A vitória de Cielo foi conquistada há muito tempo e anunciada por ele próprio um dia antes da final. Após a semifinal, o nadador foi questionado pelo repórter Marcos Peres, do SporTV, sobre qual o tempo que o vencedor da prova teria que fazer para ficar com o ouro. A resposta de Cielo foi de quem estava pronto e convicto de que tinha tudo para vencer. “Acredito que o vencedor deva nadar na casa dos 46s”, disse. “Não vou falar qual o tempo certinho porque senão vou contar para você o tempo que farei, porque eu vou vencer”, completou.

Desculpem os outros brasileiros do dia, mas não tem como não falar de um cara como César Cielo Filho. Na euforia do título olímpico Cielo já dizia: “já tracei uma nota meta. Está pregado na parede do meu quarto o novo tempo que desejo fazer”. Depois da prova desta quarta-feira, na qual o brasileiro conquistou o título mundial e estabeleceu o novo recorde mundial, com 46”91, Cesão revelou qual era a marca que havia traçado como meta atingir. “Eu tinha estabelecido o tempo de 46”89 para essa prova aqui no Mundial”. Faltou muito pouco para atingir o tempo que havia planejado, porém, isso pouco importa neste momento, já que Cielo é o primeiro homem no mundo a nadar abaixo de 47 segundos.

Só para ter uma noção do feito do brasileiro, o nadador Michael Phelps, que estava comentando a prova para uma televisão estadunidense, deu a seguinte declaração após o feito do brasileiro. “O Cielo é o melhor do mundo nessa prova! Se eu tivesse nadado os 100m livre não teria conseguido nada”. Cielo é um exemplo a ser seguido e, sem dúvida, o melhor nadador brasileiro de todos os tempos! Um obstinado que lutou, trabalhou, treinou e fez todos os sacrifícios para chegar ao topo. O povo brasileiro tem orgulho de ter um grande campeão como: César Cielo Filho.


Imagem:
César Cielo - Agência / AFP

No dia da redenção de um Mito, Brasil conquista uma medalha após 15 anos

Por: Igor Trizussi

Há quinze anos foi realizado o VII Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos. Na natação, o país teve duas medalhas de bronze conquistadas nos 100m livre masculino, com Gustavo Borges (o russo Alexsander Popov foi o primeiro e americano Gary Hall Jr. o segundo), e no revezamento 4x100m livre (Estados Unidos em primeiro e Rússia em segundo). Foi na cidade de Roma, Itália, o último Mundial que o Brasil conquistou medalha.

Nesta quarta-feira, Felipe França (foto1), brasileiro da cidade de Suzano, conquistou a medalha de prata nos 50m peito do XIII Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos. Quinze anos depois de Gustavo, na mesma cidade de Roma, Itália. Foram quinze longos anos para o Brasil voltar para o pódio.

Foi uma prova emocionante. No fim, por detalhes, o sul-africano Cameron Van Der Burgh bateu na frente e quebrou novamente o recorde mundial da prova com o tempo de 26”67. Felipe ficou 0”09 atrás, perdendo na batida de mão. João Luiz Jr., o outro brasileiro da prova, ficou empatado em último. Mas nadou bem também. Definitivamente, a prova mais forte do campeonato. A emoção do brasileiro ao receber a medalha contagiou a todos no Foro Itálico, onde acontecem as provas. Mas, creio eu, nem se compara ao que foi sentido a 9.500Km dali, aqui no Brasil. É nessas horas que bate aquele bom e velho “orgulho de ser brasileiro”.

Foi um dia muito bom para o Brasil, além da medalha de Felipe, nos 100m livre, Cesar Cielo (foto2) e Nicolas Oliveira se classificaram para a final com o segundo e o quarto tempo, respectivamente. Cielo ainda se resguardou para a final. Nicolas, um nadador especialista em provas mais longas, se superou. Será uma final muito forte, com os nadadores mais rápidos do mundo. Nos 50m costas, Fabiola Molina cravou o mais novo recorde sul-americano da prova, nadando para 27”70, e se classificou para a final com o último tempo. Thiago Pereira nadou muito bem o 200m medley e voltou a nadar perto de seu melhor, mesmo soltando no fim da prova, e classificou com o sexto tempo. Já o jovem Henrique Rodrigues não foi tão bem e ficou pelo caminho com o décimo quinto tempo, na mesma prova que Thiago. Joana Maranhão, infelizmente, não nadou bem. Ficou bem acima do seu melhor e, com o tempo de 2’09”55, ficou apenas na vigésima colocação.

Além disso, neste quarto dia de competições tivemos a prova maior de que os grandes da história não são derrubados tão facilmente. Eu havia falado ontem que “o mito caiu”. Mas ele se reergueu. E em grande estilo. Nos 200m borboleta, Michael Phelps (foto3) se tornou o primeiro homem do planeta a nadar essa prova abaixo dos 1’52”00 (1’51”51) e levou o ouro com sobra. O “velho Phelps” está de volta. Machucado pela derrota de terça- feira, verdade, mas não morto e foi atrás da sua redenção. Nessa mesma prova, o brasileiro Kaio Marcio quase conseguiu um lugar no pódio, ficando em quarto. Foi uma prova de recuperação para o brasileiro, que teve uma boa atuação.

Se o dia tivesse sido “apenas” isso, já estava bom. Mas, Federica Pellegrini deu o ar de toda a sua graça, técnica e velocidade. A italiana quebrou o recorde mundial dos 200m livre, com o tempo de 1’52”98 que surpreendeu até ela, levantando toda a torcida local. As duas americanas (Allison Schmitt e Dana Vollmer, respectivamente) completaram o pódio.

Na última prova do dia, os 800m livre, o tunisiano Oussama Mellouli era o franco favorito para vencer e quebrar o recorde do australiano Grant Hackett, o maior fundista da história, que perdurava desde 2005. Mas ninguém reparava no chinês Lin Zhang. E pouquíssimas pessoas sabiam que seu técnico era Denis Cotterell, ninguém menos que o ex-técnico de Hackett. A cada virada, Zhang ia aumentando a sua vantagem sobre Mellouli e, pasmem, sobre o recorde mundial. Resultado: um recorde que parecia inalcançável sendo baixado em absurdos 6”53. Mellouli ficou com a prata e o canadense Ryan Cochrane com o bronze.

Nesta quinta-feira teremos grandes chances de mais medalhas com Cielo no 100m livre, brigando pelo ouro, e com Nicolas Oliveira correndo por fora, mas ainda com chances de beliscar algum lugar no pódio. Fabiola Molina (foto4) tem poucas chances nos 50m costas, porém, se nadar no seu melhor pode conquistar um bom resultado. Thiago Pereira tem grandes chances de conquistar uma medalha no 200m medley, ainda mais sem a presença do campeão olímpico e recordista mundial da prova, Michael Phelps. No entanto, terá pela frente os favoritos Laszlo Cseh, da Hungria e Ryan Lochte, dos Estados Unidos. Ainda teremos as eliminatórias dos 200m peito com Henrique Barbosa e Tales Cerdeira, no masculino, e Carolina Mussi e Tatiane Sakemi, no feminino. Tatiane Lemos nadará os 100m livre e Leonardo Guedes os 200m costas. Todos com grandes chances de passar para as respectivas semifinais e finais.

Ontem foi prata. Hoje, se tudo der certo, virá o ouro.

Imagens:
Felipe França – GloboEsporte.com
César Cielo – GloboEsporte.com
Michael Phelps – GloboEsporte.com
Fabiola Molina – GloboEsporte.com

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Mundial de Roma: Brasileiros se destacam e cai um mito da natação mundial (2)

Por: Igor Trisuzzi
Sim, o mesmo título de ontem do texto do Rafael. Mas o mito que caiu hoje não foi qualquer um, foi o maior mito da história da natação mundial: Michael Phelps.

Phelps detinha a hegemonia de cinco anos e o recorde mundial da prova de 200m livre. Mas apareceu um alemão, Paul Biederman, que decidiu tirar os holofotes do maior medalhista de ouro olímpico da história. Após quebrar o último recorde mundial de Ian Thorpe (400m livre), ele desbancou o fenômeno norte-americano e quebrou seu recorde mundial com o tempo de 1’42”00. Phelps não usava o traje tecnológico de Biederman e não está na sua melhor forma, mas o mito caiu. E não gostou nem um pouco disso.

Mas Phelps não teve tempo para ficar se lamentando. 1h31m minutos após o fim de seu reinado na prova de 200m livre, ele tinha que cair na água de novo para se classificar para a final dos 200m borboleta. Se guardou na prova e classificou com o segundo melhor tempo, atrás apenas do japonês Matsuda. Kaio Márcio também classificou, ficando em terceiro na sua série e fazendo o quinto melhor tempo para a final. Lucas Salatta fez apenas o décimo sexto tempo e está fora da prova de amanhã.

Na primeira semifinal dos 50m peito, Felipe França e João Luiz Júnior fizeram excelentes tempos (26”92 e 27”16, respectivamente). Mas Felipe, que nadou com a touca de Cesar Cielo, viu seu recorde mundial de 26”89 ser batido na série seguinte, com o sul-africano Cameron Van Der Burgh fazendo o tempo de 26”74. Teremos uma disputa aberta para a final de hoje nessa prova! Felipe com o segundo tempo e João Jr. com o quinto.

Na prova dos 1500m livre, vimos uma prova emocionante. Lotte Friis, da Dinamarca, Camelia Potec, da Romênia, e Kristel Kobrich, do Chile, eram as favoritas para a prova. Mas da metade em diante, surgiu, para delírio da torcida local, a italiana Alessia Filippi. Atleta da cidade de Roma, Filippi saiu da quarta colocação, bem atrás de suas adversárias, e foi passando uma a uma para conquistar a medalha de ouro até então improvável.

Para a torcida italiana, melhor momento do dia, até então, já que as semifinais dos 200m livre feminino estavam chegando e, na segunda série delas, a sensação da delegação local: Federica Pellegrini, a Diva (como é chamada) já havia ganhado o ouro na prova dos 400m livre, com direito a recorde mundial. Agora vinha para a prova cuja qual é sua especialidade. Mas, dessa vez, não quis deixar para quebrar o recorde na final e, com um tempo inacreditável de 1’53”67, passou a ser a primeira mulher a nadar abaixo dos 1’54”00.

Nos 100m costas feminino tivemos a britânica Gemma Spofforth batendo em primeiro e quebrando o recorde mundial com o tempo de 58”12. A russa Anastasia Zueva ficou com a prata e a australiana Emily Seehbom completou o pódio. Kirsty Coventry, recordista mundial antes do início do campeonato e atual vice-campeã olímpica, ficou apenas em oitavo. No masculino, sem a participação do norte-americano e recordista mundial Aaron Peirsol, a final terminou com o japonês Junya Koga em primeiro, fazendo o novo recorde do campeonato com o tempo de 52”26, o alemão Helge Meeuw ficou em segundo e o espanhol, até então favorito para a prova, Aschwin Wildeboer em terceiro.

Nos 100m peito feminino, nenhuma surpresa. A estadunidense Rebecca Soni garantiu o favoritismo e venceu a prova, chegando perto do recorde mundial que pertence a ela. A russa Yuliya Efimova chegou em segundo e a outra americana, Kasey Carlson, em terceiro. Vale ressaltar aqui que essa é a primeira vez nesse mundial que dois americanos sobem no pódio na mesma prova durante esse mundial, mostrando que o USA Team não está tão forte como nas Olimpíadas do ano passado.

Hoje teremos Kaio Márcio lutando contra Michael Phelps na final dos 200m borboleta e Felipe França e João Luiz Júnior na final dos 50m peito, ambos com muitas chances de medalhas. Será que sai a primeira medalha brasileira nas piscinas do Foro Itálico?

Imagens:

Paul Biederman e Michael Phelps - Kerim Okten / EFE
Paul Biederman e Michael Phelps - Alessandra Tarantino / AP
Felipe França - Sátiro Sodré / CBDA
Federica Pellegrini - Filippo Monteforte / AFP
Kaio Márcio - Sátiro Sodré / CBDA

terça-feira, 28 de julho de 2009

Eles e elas

Por: Felipe Simi

Suada. Nervosa. Dramática. Emocionante. Assim foi a final da Liga Mundial de vôlei masculino, disputada anteontem, em Belgrado, na Sérvia, entre sérvios e brasileiros. Depois de um empate em quatro sets, bate-boca entre os técnicos e 22.680 sérvios vaiando a cada jogada, deu Brasil no tie-break. As parciais foram de 22/25, 25/23, 25/22, 23/25 e 15/12.

Foi o oitavo caneco da orquestra de voleibol brasileira, o sétimo sob a batuta do ‘sempre sereno’ Bernardinho e o primeiro da geração de Lucão, Leandro Vissotto, Rivaldo e cia. Os veteranos Giba, Murilo, Rodrigão e Escadinha deram uma forcinha, claro – Escadinha, inclusive, trouxe para casa o troféu MVP, de melhor jogador da decisão.

O dia foi delas também
Mais cedo, também no domingo, a seleção brasileira feminina de vôlei conquistou, em Betim-MG, o Torneio Classificatório para o Mundial de 2010 ao derrotar o Peru, em sets diretos. Foi o sexto título em apenas 12 meses. Hoje, elas se reapresentam ao técnico José Roberto Guimarães visando à estréia no Grand Prix, sexta-feira, contra Porto Rico.

Imagens: Marko Djurica/Reuters e Alexandre Arruda/CBV

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Mundial de Roma: brasileiros se destacam e cai um mito da natação mundial

Por: Rafael ZitoNesta segunda-feira ocorreu o segundo dia de provas do Campeonato Mundial de Natação, que está sendo disputado em Roma. Os dois brasileiros que se destacaram foram: Gabriella Silva (foto1) e Nicholas dos Santos. Gabriella nadou os 100m borboleta e entrou para a história da natação feminina brasileira terminando na quinta colocação, com o tempo de 56.94.

Apesar de ter ficado como a quinta nadadora do mundo, quero destacar um aspecto importante da atleta. Além de ficar emocionada com o feito, a brasileira mostrou certo inconformismo com o erro que cometeu. Gabriella acreditava que poderia conseguir um resultado melhor se tivesse acertado a chegada. Segundo a nadadora, a perda de alguns centésimos aconteceu porque deslizou um pouco no final da prova, já que estava na dúvida se dava mais uma braçada ou se esticava o braço para fechar a prova.

Esse tipo de reação de um atleta é algo que me agrada bastante. Não deu dessa vez Gabriella, porém, siga se cobrando que da próxima vez você consegue uma medalha para o Brasil, quem sabe ainda neste mundial, na prova dos 50m borboleta. Outro brasileiro que fez bonito na piscina do Foro Itálico foi Nicholas dos Santos (foto2), no 50m borboleta. O nadador se classificou para a final com o terceiro melhor tempo, entretanto, acabou na quinta posição. O vencedor da prova foi o sérvio Mirolav Cavic, com o tempo de 22.67.

O Brasil esteve representado em mais uma final. Henrique Barbosa nadou os 100m peito e ficou com a oitava posição, com a marca de 59.54. O vencedor da prova foi o australiano Brenton Rickard, que quebrou o recorde mundial do japonês Kosuke Kitajima, registrando a nova marca em 58.58. Até então tudo corria na maior normalidade nas piscinas romanas: recordes batidos e atletas brasileiros melhorando seus resultados. Mas, antes do dia acabar uma enorme surpresa pôs fim ao um mito da natação mundial. O estadunidense Aaron Peirsol terminou a semifinal dos 100m costas na nona colocação e está fora da final! É isso mesmo, a zebra apareceu em Roma!

O atual bicampeão olímpico da prova (Atenas 2004 e Pequim 2008); tricampeão Mundial (Barcelona 2003, Montreal 2005 e Melbourne 2007); e recordista mundial, com 51s94 ficou fora da finalíssima que acontece nesta terça-feira. Atualmente, Peirsol é o único homem no mundo a nadar a prova abaixo de 52 segundos. Vale lembrar que o nadador estadunidense registrou esse novo recorde mundial no último dia 08 de julho, a menos de um mês. Sem dúvida, foi à maior surpresa do dia e, provavelmente, de toda a competição. Quem acompanha natação sabe que quando uma prova de nado costas estava rolando era quase certo que o vencedor seria Peirsol. O fracasso em Roma pode estar marcando o começo de uma nova era.

Imagens:
Gabriella Silva – http://colunas.sportv.globo.com/files/980/2009/07/dsc024061.jpg
Nicholas dos Santos – Satiro Sodré / CBDA
Aaron Peirsol – Getty Images

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Corinthians: Casa de apostas

Por: Marcelo BragaOtacílio Neto não se firmou no ataque do Timão. Na reserva, não mostrou ser um atacante que, quando entra, mantém o nível dos titulares. Assim, foi emprestado ao Barueri para ganhar moral, motivação, manter-se em ritmo de jogo e, caso engrene, voltar no ano que vem para o Paulistão. Wellington Saci (Atlético-MG)e Souza (Goiás, possivelmente)também são exemplos de jogadores que deixam a equipe por deficiência técnica.

Agora, perdendo titulares importantes para fazer caixa – André Santos, Cristian e, caso se confirme, Douglas - o clube vai se moldando para 2010. Talvez perca Felipe, que tem inúmeras propostas e certa vontade de sair. Assim, é hora de trancar a porta...Ninguém mais sai...

O técnico Mano Menezes então tem dois laboratórios antes da Libertadores: o Brasileirão e o Paulistão-2010. Até lá, precisa achar o grupo perfeito. Para isso, acerta em testar destaques da Série B, como Bill. Acho válida a vinda de mais alguns que se destaquem. São apostas, que se derem certo darão bom retorno. E, na Segundona, Bill mostrou bom futebol. Atacante ambidestro de bastante potência nos chutes de média e longa distância.

É hora de testar os bons valores da base: Bruno Bertucci, Marcelinho, Fernando Henrique (que voltou ao clube) e Dodô, que surge como destaque para a tão carente lateral esquerda. Além disso, testar Marcinho, Jucilei, Henrique e todos os outros que cheguem a preço de banana...Quem sabe o Timão não encontra um novo Chicão, um novo André Santos, que chegaram sem pompas e viraram ídolos.

Até a Libertadores, o Alvinegro será uma equipe em constante transformação, em busca do melhor time para a competição sul-americana. Assim, mesmo hoje no G4, a tríplice coroa é bastante improvável.

Imagem:
http://img59.imageshack.us/i/20080417elpmad2sc8.jpg/

VÍDEO: TV LANCE!

Pessoal, não sou muito bom em TV, mas gostaria que vocês, frequentadores do nosso blog, vissem a matéria que fiz para a TV LANCE!. Acho que ficou engraçada. Um abraço.

http://www.lancenet.com.br/multimidia/?vid=cc12001a-d798-484c-bd63-e06a22deec85

Agradecimentos:
Atlético Sorocaba / Pizza Bar Submarino Amarelo

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Casa nova, vida nova

Por: Sabrina Machado

Um dia eu acordei e não estava mais onde era a minha morada. Lá eu tinha de tudo o que eu precisava, além disso, era muito querido por todos os que estavam ao meu redor. Ao menos era o que eu sentia. Foram anos e anos de felicidades. Claro que vieram as tristezas e decepções, mas as conquistas sempre foram maiores.

O sonho acabou. Fiquei sem casa. Fizeram com que eu saísse pelas portas dos fundos, como se eu fosse o culpado por esse ou aquele tropeço. Alguns ficaram do meu lado, sabiam que os que me escorraçaram estavam querendo se esconder das responsabilidades. Foi assim que me encontrei na rua.

As pessoas definitivamente têm a memória curta! Apesar de tudo, comecei a ver o lado bom da coisa. Estava sem sofrer pressão, consegui umas férias dos problemas e daqueles que eram insubordinados. Mas esse alívio não é muito a minha praia. Joguei as mãos para o céu porque surgiu uma outra oportunidade de dar a volta por cima e provar àqueles que me tiraram da minha casa que eles cometeram um erro grandioso.

Recebi uma proposta para voltar à tona. Ela partia de um dos maiores concorrentes deles. Está certo que eu gostava da outra casa que morava lá no sul. Mas continuar em São Paulo, no muro vizinho, na casa do antigo inimigo, era muito tentador.

Gosto de desafios e mesmo batendo no braço que meu sangue era Tricolor, agora vou ter que enfrentar a turma do amendoim e a torcida do carnaval! Será que vou conseguir o sucesso igual tinha daquele lado? É difícil prever essas coisas, mas só posso dizer o meu lema: “aqui é trabalho”.
Imagem:
Divulgação

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ainda o primo pobre

Por: Leandro Miranda



O sheik está se esforçando, mas não vai ser dessa vez que o Manchester City vai terminar a Premier League entre os quatro primeiros colocados. Apesar do grande barulho da imprensa, as contratações recentes não são muito melhores do que as do início da temporada passada, quando, além de Robinho, chegou somente um bom nome: o meia Shaun Wright-Phillips, que veio acompanhado dos medíocres Kompany, Ben Haim (ambos zagueiros), Zabaleta (lateral) e Jô (atacante). Desta vez, Tevez aparece como o único reforço excelente, aquele jogador capaz de elevar o nível do time – coisa que Robinho, apesar de ter mostrado talento no início da temporada, não conseguiu fazer sozinho.

Junto com o argentino, chegam outros bons jogadores, como o volante Gareth Barry, que marca forte e bate muito bem na bola com a perna esquerda, e os atacantes Adebayor e Roque Santa Cruz, que têm características que podem “encaixar” com o estilo de Tevez na frente. Atletas que podem dar ao time uma espinha dorsal forte o suficiente para fazê-lo brigar pela Liga Europa com outras equipes de médio porte – mas que nem de longe colocam o elenco no mesmo nível de Manchester United, Liverpool ou Chelsea. Mesmo o Arsenal, titubeante nas últimas temporadas, ainda está em um nível acima.

Um provável time titular do Manchester City: o excelente goleiro Shay Given, trazido do Newcastle no meio da temporada passada; uma defesa fraca, composta pela linha Zabaleta-Dunne-Richards-Bridge; os bons volantes Ireland e Barry, com Wright-Phillips e Robinho (ou Elano) atuando como “wingers”, abertos pelas pontas; na frente, Tevez e Adebayor. Um time talhado para flutuar entre o quinto e o sétimo lugares, que deve sofrer com a falta de entrosamento e demorar para desenvolver seu potencial.

Para mim, a nova temporada do City levanta duas outras questões. A primeira diz respeito a Robinho: com três novos atacantes no elenco, contratados a peso de ouro, o brasileiro terá que jogar o triplo para se manter no time titular, mesmo que haja a possibilidade de ser recuado para o meio-campo. A chance de Robinho perder a vaga de titular em um time mediano da Inglaterra, na temporada que antecede a Copa do Mundo, é real. A outra questão é sobre Tevez, ou sobre Kia Joorabchian: pra onde vão os 25,5 milhões de euros pagos pelo argentino? Kia diz que não tem mais nada a ver com a MSI, mas que representa uma “terceira parte” que detém os direitos econômicos de Tevez. Só não diz claramente que parte é essa. Por causa dessa história mal-explicada – que vem desde os tempos de Corinthians, diga-se – o West Ham, ex-time de Tevez na Inglaterra, quase foi rebaixado e teve que pagar uma indenização ao Sheffield United, time que caiu no lugar dos Hammers em 2007. Para quem quiser ler um artigo do The Guardian sobre o assunto, o link (em inglês) é: http://www.guardian.co.uk/sport/david-conn-inside-sport-blog/2009/jul/14/manchestercity-carlos-tevez.

Imagem: Tevez - http://images.mirror.co.uk/upl/m4/jun2009/1/0/sunday-mirror-image-6-660364766.jpg

terça-feira, 21 de julho de 2009

"No meio do caminho tinha um pneu..."

Por: Felipe Simi


Aconteceu no último domingo, em Londres, na Inglaterra. Faltavam quatro voltas para o final da segunda bateria de Fórmula 2 no circuito de Brands Hatch. O carro de Jack Clark se espatifou no muro e uma das rodas atravessou a pista quicando até atingir, em cheio, a cabeça de Henry Surtees, que vinha logo atrás.

O piloto desmaiou na hora, e não conseguiu impedir que seu carro ainda se chocasse nos muros de proteção. A corrida foi interrompida, ele foi socorrido na clínica do autódromo e levado, de helicóptero, para o Royal Hospital da cidade, mas não resistiu. Henry tinha 18 anos e era filho de John, campeão mundial de Fórmula 1 em 1964.

Sangue novo na F-1
A Toro Rosso anunciou ontem o espanhol Jaime Alguersuari para o lugar do francês Sebastien Bourdais. No próximo final de semana, aos 19 anos e quatro meses, ele vai se tornar o piloto mais jovem da história a correr um GP.





Imagens: racingpasion.com/ultimacurva.com

12 milhões de euros por André Santos e Cristian: bom ou mau negócio para o Timão?

Por: Rafael Zito
Nesta segunda-feira, o Corinthians anunciou a venda dos jogadores André Santos e Cristian, para o Fenerbahce, da Turquia. Especula-se que o clube turco teria desembolsado cerca de 7 milhões de euros pelo volante e 5 milhões pelo lateral-esquerdo. Ao todo, o Fenerbahce estaria pagando ao Timão 12 milhões de euros. Os valores pagos nestas transferências estariam de acordo com a qualidade dos atletas? A pergunta torna-se relevante pelo fato do lateral-esquerdo ser um jogador de seleção brasileira e pelo fato do volante estar vivendo o melhor momento da carreira e se considerado um dos melhores brasileiros da sua posição.

A quantia paga pelo clube europeu pode ser contestada também se levarmos em consideração as últimas transações do futebol brasileiro para o exterior. Ramires, ex-jogador do Cruzeiro, saiu do clube mineiro para o Benfica, de Portugal, por 7,5 milhões de euros. Por pouco menos, o ídolo palmeirense, o meio-campista Valdívia, foi negociado com o Al Hilal, da Arábia Saudita. O ex-camisa 10 do Verdão foi vendido por 7,3 milhões de euros. Além de Ramires, dois outros atletas foram negociados em 2009. Maicosuel saiu do Botafogo para o Hoffenheim, da Alemanha, por 4,5 milhões de euros e o atacante Keirrison se desligou do Palmeiras e está acertando sua ida para o Barcelona, por 15 milhões de euros.

Quem saiu pelos mesmos valores de Keirrison foi o atacante Diogo, ex-atacante da Portuguesa. O jogador foi negociado no segundo semestre de 2008 para o Olympiakos. Nilmar pode estar deixando o Internacional com uma proposta de 15,5 milhões de euros do Wolfsburg, da Alemanha. Quem foi jogar no futebol alemão no meio de 2008 foi o ex-zagueiro do São Paulo, Alex Silva, que negociou 50% dos direitos federativos do atleta com o Hamburgo, por 6,5 milhões de euros. Thiago Neves, que estava atuando pelo Fluminense, foi vendido pelo próprio clube carioca em meados de 2008 também para o Hamburgo, por 9,2 milhões de euros.

Quem resistiu para não vender um dos seus melhores jogadores foi o São Paulo. O clube paulista resiste às investidas do futebol europeu pelo meio-campista Hernanes desde o começo do ano passado. A maior proposta feita pelos direitos federativos do atleta teria sido do Barcelona e os valores chegariam a 14 milhões de euros. Já o Cruzeiro, considerado um dos clubes que faz as melhores negociações, vendeu Guilherme para o Dínamo de Kiev, por 5 milhões de euros e ainda ficou com os direitos federativos do atacante Kléber, ex-Palmeiras.

Tanto André Santos quanto Cristian estão com 26 anos e terão suas primeiras passagens pelo futebol europeu. Pela idade dos atletas e pelo momento que vivem em suas carreiras os valores pagos ao Corinthians pela transferência são considerados aceitáveis levando-se em consideração as transações citadas acima? O fato é que os dois jogadores farão muita falta para o Corinthians na sequência do Campeonato Brasileiro e no projeto para o título da Copa Libertadores de 2010, ano do centenário do clube.

Imagem:
Cristian - ESPN Brasil

sábado, 18 de julho de 2009

Gre-Nal: 100 Anos de histórias

Por: Bruno ZanetteO ano era 1909. A diretoria do Grêmio estava reunida em sua sede, no centro de Porto Alegre, naquele 21 de junho. O presidente do então clube gremista, prestes a completar seis anos, era o major Augusto Kock. Tudo corria tranquilo em mais um dia de trabalho, quando receberam a visita de três homens com uma proposta.

Tratava-se dos irmãos Henrique e José, além do primo Luís, da família Poppe. Os três vieram de São Paulo e no dia 04 de abril haviam fundado um time de futebol, o Sport Club Internacional. Queriam propor aos diretores gremistas um duelo. Augusto Kock, fazendo pouco caso da questão, ofereceu o segundo quadro do Grêmio. Os diretores colorados, sentindo-se ofendidos, recusaram, queriam enfrentar o time titular! Kock, gentilmente aceitou.

Como quase todas as partidas eram seguidas por um baile, havia despesas, que a família Poppe gostaria de pagar, mas Kock recusou, pois o jogo seria no Fortim da Baixada, antigo estádio do Grêmio e, por isso, quem deveria pagar, era o tricolor gaúcho. Os dois acabaram aceitando dividir as contas.

Estava acertado o primeiro Gre-Nal da história, disputado no dia 18 de julho de 1909, com o extenso placar de 10 a 0 para o Grêmio. De lá pra cá foram disputados 376 Gre-Nais, com 141 vitórias coloradas, 118 gremistas e 117 empates. 538 gols foram marcados pelo Inter, 499 pelo tricolor gaúcho. É, sem dúvidas, o maior clássico do futebol brasileiro, capaz de dividir um estado inteiro, entre azul e vermelho. E em 100 anos de história, há muitas partidas inesquecíveis.

Uma delas foi o “Gre-Nal de Farroupilha”, disputado no dia 22 de setembro de 1935, comemorando o centenário da Revolução Farroupilha. A partida era válida pela última rodada do Campeonato Citadino, e o Inter chegara à decisão, um ponto à frente do Grêmio. Ou seja, um empate bastava para os colorados erguerem a taça. Foi também o último jogo do inesquecível goleiro Eurico Lara, com a camiseta do Grêmio. Ele saiu no intervalo da partida, quando o placar ainda estava zerado, reclamando de dores no peito. Falecera um mês depois, aos 37 anos.

No segundo tempo, Chico entrara no lugar de Lara e já se passava dos 40 minutos, ninguém havia marcado um gol sequer. Foi quando, numa cobrança de falta de Mascarenhas, o zagueiro Risada, do Internacional, rebateu a bola nos pés de Foguinho, que fuzilou as redes, fazendo 1 a 0 para o tricolor. Logo em seguida veio o segundo, marcado por Laci. E com 2 a 0, o Grêmio assegurou o título.

Durante os anos 40 o Inter esteve com certo domínio, aumentado no final dos anos 60 e meados da década de 70. Foi no Gre-Nal de 1977 que o Grêmio, comandado por Telê Santana, pôs fim à sequência de títulos colorados (sete seguidos) e na vitória por 1 a 0 no Olímpico, gol marcado por André Catimba, o que mais ficou lembrado foi a cambalhota mal executada por Catimba, na comemoração do gol. O atacante gremista sentiu uma fisgada no meio da comemoração, e sem tempo de reação, caiu de cara ao chão, estatelado no gramado.

Em 12 de fevereiro de 1989 houve o chamado “Gre-Nal do Século”, válido pela semifinal do Campeonato Brasileiro de 1988 (antigamente, os calendários da CBF eram mais confusos que os próprios cartolas que os comandava). Na ocasião, o Internacional venceu de virada por 2 a 1, com um jogador a menos durante quase toda a partida (Casemiro fora expulso ainda no primeiro tempo). Marcos Vinícius abriu o placar para o Grêmio, mas Nilson marcou duas vezes e foi o grande herói da partida. Foi o clássico com maior número de pagantes, mais de 78 mil. Mas na decisão, o Inter perdeu o título para o Bahia.

O primeiro Gre-Nal por um torneio de fato internacional foi na Copa Sul-Americana de 2004, onde na primeira partida o Inter venceu por 2 a 0 e no jogo de volta perdera por 2 a 1, mas o gol marcado no estádio Olímpico classificou a equipe colorada.

As duas equipes chegam para o clássico 377 deste domingo (19) com muita confiança, embora tenham desfalques importantes. Por suspensão, não jogam pelo colorado Glaydson e Magrão. Bolívar retorna à equipe. Sandro, após se recuperar de lesão, retornou aos treinamentos e deverá começar o jogo, no esquema 3-5-2, implantado pelo técnico Tite, além de D’Alessandro, que volta após conseguir um efeito suspensivo.

No lado gremista, três boas novidades. São as voltas dos atacantes Herrera e Maxi López, além do zagueiro Réver, que fará dupla de zaga com Rafael Marques, já que Léo está suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Também retorna o meio-campo Souza, que cumpriu suspensão na derrota para o Coritiba por 2 a 1. A única dúvida é na lateral direita, já que Thiego fora expulso contra o Coxa. Joilson deverá começar por lá. No ataque também não há certezas, pois Jonas vem atuando bem e pode começar como titular ao lado de Maxi López.

Assim como todo Gre-Nal, este também tem sua importância, não apenas por ser o “Gre-Nal do Centenário”. Os dois times vêm em ascensão no campeonato, com o Grêmio não tendo demonstrado tristeza pela perda da Libertadores, nem o Inter pela Copa do Brasil. Aliás, a equipe colorada tentará fazer de tudo para conquistar o Brasileirão, que já não vem há um bom tempo, e justo no ano em que o clube completa 100 anos de existência. Nada como um Gre-Nal para animar o Rio Grande do Sul.


Imagens:
http://2.bp.blogspot.com/_mxIrjOeSO2Y/Sdy5pBincnI/AAAAAAAABpg/GMWBhRX0itU/s400/selo_centenario_grenal_600x450_.jpg

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Iziane X Bassul: Caso encerrado?

Por: Karin Thomazin
Foi assim que Hortência definiu a história entre a ala Iziane e o técnico Paulo Bassul após a recusa da jogadora à convocação para a Copa América de Basquete.

Preocupada com a repercussão da atitude da ala sobre a equipe, a diretora da seleção feminina de basquete decidiu colocar um ponto final no assunto, mas não descartou a possibilidade da atleta do Atlanta Dream ser chamada novamente a vestir o uniforme verde e amarelo no futuro.

Em entrevista ao site globo.com, Hortência contou que entrou em contato com Iziane no dia do embarque para a Europa, na última semana, para a disputa dos jogos da Lusofonia, que começaram nesta quarta-feira. Do outro lado da linha, a resposta foi seca: “Pensei bem e não quero ir”. O problema de relacionamento com o técnico Paulo Bassul, que baniu a ala do time depois de um desentendimento no Pré-Olímpico Mundial em 2008, foi o motivo alegado pela jogadora.

Iziane não tem nenhum título no currículo. Prefere priorizar as cestas, mas título que é bom...

Ela é, sim, muito importante para a nossa Seleção. Tem capacidade o suficiente. Mas se achar estrela, a uma altura dessas da vida, realmente, é pensar pequeno. Não tiro o mérito de Paulo Bassul, quando disse que a ala “estava fora”. Nos momentos em que recebeu as orientações do técnico, simplesmente, jogou por si e não pela equipe. Muito menos pelo país.

Só nos resta saber se ela voltará, com ou sem o técnico Paulo Bassul.

Imagens:
Reprodução SPORTV - Bassul e Iziane
Marcelo Prado - Globoesporte.com - Hortência e Bassul

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sempre a mesma velha história, ou seja: 22 libertadores

Por: Átila Benevides
Vamos lembrar de uma velha historinha entre argentinos e brasileiros... Os brasileiros são melhores, mais técnicos, mas chega na hora H, desaprendem e os argentinos, dados como mortos vencem no final.

Recentemente, tudo se iniciou com Palmeiras contra o Boca em 2000. Depois, fracassaram o São Caetano (contra o Olimpia em 2002), o Santos e o Grêmio (ambos contra os Xeneizes, em 2003 e 2007) e o Fluminense (contra a LDU, no ano passado). Esse anoooo... o grande Cruzeiroooo, minha apostaaa... ahaaaa. É, não deu. Caiu também.

Tudo levava a crer que seria um jogo relativamente tranqüilo, pois os mineiros se portaram muito bem em La plata, suportando a pressão constante, através, sobretudo, da grande atuação do goleiro Fábio. No entanto, a festa preparada pelos mais de 65 mil celestes, foi por água baixo. Tudo por culpa de Boselli (artilheiro da Libertadores com oito gols) e Fernández.

Podemos classificar o jogo desta quarta-feira como um apagão na Raposa. O time pareceu sentir o peso de jogar em casa e dava mostras de estar muito afoito e perdido em campo, sendo muitas vezes improdutivo. Nem mesmo sair na frente do placar, com Henrique, fez a equipe se tranqüilizar, tomando seis minutos depois o empate e aos 27 do segundo tempo, com gol de Boselli, a virada.

Os alvirrubros durante os 180 minutos mostraram-se sempre seguros e se não foi feito um futebol brilhante, destacaram-se pela tradicional garra e catimba. O diferencial do time, que deu um pouco de técnica foi o veterano volante Verón, filho do lendário La Bruja Verón (não é à toa que o apelido do seu filho é La Brujita).

Durante toda a campanha a equipe se diferenciou por ter uma defesa sólida. No total foram apenas 6 gols levados em 16 jogos (sim, não nos esqueçamos da pré-libertadores, onde os hermanos bateram o Sporting Cristal-PER, com duplos 1 a 0), com uma campanha de 11 vitórias, 3 empates e apenas 2 derrotas (uma delas para o Cruzeiro na fase de grupo).

A curiosidade fica por conta da meta platense. Na Taça Libertadores de 2009 o Estudiantes quebrou o record argentino de maior tempo sem levar gols. Foram 800 minutos com a meta do goleiro Mariano Andujar invicta. Da quarta rodada dos grupos até o segundo confronto da semi-final, sendo vazado pelo Nacional, contudo vencendo a partida em Montividéu por 2 a 1.

Com números tão convincentes como maior artilheiro com Boselli, 800 minutos sem levar gol, tetracampeonato da Libertadores e promovendo um “Minerazo”, apenas nos resta dizer ‘Congratulaciones pincharratas’!!

Imagem:
Cruzeiro x Estudiantes - Reuters

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Cruzeiro busca o tri da Libertadores no Mineirão

Por: Marcelo Costa (Blog Esquemas Táticos)
Cruzeiro x Estudiantes. A finalíssima da Copa Libertadores da América terá casa cheia. Os oponentes são times de países que praticam estilos de futebol admirados em todo o mundo. Um deles tem sido apontado como um dos favoritos desde o início do torneio, o outro cresceu muito ao longo da competição. A conquista pode significar o tricampeonato para os brasileiros e o tetracampeonato para os argentinos.

O jogo tem mobilizado Belo Horizonte desde que os finalistas foram definidos. A ponto de o principal clássico do estado, no último domingo, ter sido esvaziado. Apenas 22.500 torcedores compareceram ao Cruzeiro versus Atlético pelo Campeonato Brasileiro. Nem a torcida do Atlético compareceu em massa.

Muitos torcedores saíram do Mineirão, ainda na noite de domingo, direto para as bilheterias. Todos os 64.800 ingressos foram vendidos, mas só metade estava disponível nos guichês. Os que aderiram ao programa sócio-torcedor ficaram com 20 mil ingressos, outros oito mil foram adquiridos por sócios de outro programa de fidelidade do clube e patrocinadores e donos de camarotes tiveram direito a duas mil entradas. Os demais 31.800 ingressos se esgotaram ainda na segunda-feira, por volta do meio-dia. O Estudiantes teve direito a três mil bilhetes. A reclamação dos torcedores tem sido grande porque muitos cambistas já estavam vendendo, quase pelo dobro do preço, ingressos que variavam de R$ 15 (geral) a R$ 150 (cadeira especial).

O Cruzeiro chega para o segundo jogo da final da Libertadores contra o Estudiantes precisando vencer por qualquer placar para ficar com o título. Os dois times já se enfrentaram na fase de grupos do torneio e, no Brasil, o Cruzeiro venceu por 3 a 0. Na Argentina, o Estudiantes derrotou o time mineiro por 4 a 0.

No primeiro jogo da final, o Estudiantes dominou a partida, mas não conseguiu superar Fábio, o principal destaque da partida. Não aconteceu a famosa pressão que os argentinos costumam fazer contra os adversários em casa. O Cruzeiro jogou um primeiro tempo retrancado e, a partir da metade do segundo, ganhou o meio-campo e ameaçou o Estudiantes. O jogo terminou em 0 a 0.

O esquema tático do Estudiantes é um falso 4-4-2. A linha defensiva é sempre formada por três zagueiros e um dos laterais sempre se posiciona como ala. Assim, de maneira alternada, Ré (pela esquerda) e Cellay (pela direita) são alas e zagueiros pelas extremas da linha de defesa. Dois volantes ficam à frente dos defensores. Um mais marcador (Braña) e outro que sai para o jogo como um meia (Benítez). Verón é o armador que cadencia o jogo e faz lançamentos; Pérez é o meia-atacante veloz, que conduz a bola. Verón pode voltar para armar o jogo ao lado dos volantes, já que tem um passe longo de qualidade. No ataque, Fernández é o segundo atacante que cai, principalmente, pelo lado esquerdo. Boselli é o centroavante e fica mais fixo na frente. É um 3-5-2.

O Cruzeiro vem no 4-4-2, com dois volantes mais marcadores e um que é meia a maior parte do tempo. Na defesa, Gérson Magrão (meia de origem) é o lateral-esquerdo, Leonardo Silva (esquerda) e Anderson (direita) são os zagueiros e Jonathan é o lateral-direito. Thiago Heleno, que vem de contusão, pode aparecer como titular no lugar de Anderson. Se isso acontecer, inverte-se a posição de Leonardo Silva. Os laterais apoiam muito e Gérson Magrão, por vezes, aparece como meia-esquerda, sendo coberto por um dos volantes ou por Wágner.
O meio-campo cruzeirense é formado por volantes versáteis. O destaque é Marquinhos Paraná, que arma a equipe quando Wágner aparece como ponta (principalmente pela esquerda). Henrique fica mais preso na marcação, mas também aparece pela faixa central direita do ataque. Ramires tem liberdade para deslocar-se por toda o campo ofensivo e pode, portanto, aparecer tanto na direita quanto na esquerda. Wágner é o meia-atacante que pode tanto acelerar o jogo quanto cadenciar. Ele distribui o jogo dando passes e fazendo lançamentos e também conduz a bola em velocidade.

O ataque tem Kléber que, como segundo atacante, faz o pivô para os meias e penetra pelo meio ou pelas pontas. Sua jogada-surpresa é a entrada pela ponta direita, já que fica preferencialmente pela esquerda. Wellington Paulista joga mais adiantado, pela direita e pelo centro. Tecnicamente é limitado, mas é melhor finalizador que os demais atacantes disponíveis no elenco.

Imagens:
Divulgação / VIPCOMM
Blog Esquemas Táticos

terça-feira, 14 de julho de 2009

Denílson: 10 anos depois

Por: Felipe Simi


A um mês de completar 32 anos, Denílson de Oliveira Araújo está sem clube. O último que o ainda inspirado ponteiro canhoto defendeu foi o Hai Phong Cement, do Vietnã. “Por tudo o que já ganhei, seria uma humilhação ficar lá. Não tinha estrutura”, conta. “Nós lavávamos a própria roupa.” Decepcionado, pediu para sair. A experiência durou menos de um mês.

Em quase 15 anos de carreira, o atleta paulista, natural de São Bernardo do Campo, vestiu dez camisas diferentes - foram duas só nesta temporada. Em 2002, esteve com a seleção campeã na Coréia e no Japão, protagonizando um dos lances mais bizarros daquela Copa. Ganhou uma Copa América com o Brasil, em 1997, uma Conmebol com o São Paulo, em 1994, e dois Campeonatos Paulistas: pelo São Paulo, em 1998, e pelo Palmeiras, em 2008.

Quando despontou para o futebol, seu estilo ousado, irrefreavelmente ofensivo, lhe rendeu a alcunha de Rei do Drible. Franzino, movimentava-se sem parar. Em 1998, trocou o São Paulo pelo Bétis por US$ 26 milhões – um valor recorde para a época. Hoje, mais de dez anos depois, ele torce para que seu futuro não seja tão imprevisível quanto suas jogadas.

Imagens:
futebolcomamendoim.wordpress.com
vertebrais.blogspot.com

Veteranos ou experientes?

Por: Guilherme Buso (BLOG Squad Brasil)

Tradição no esporte é importante, mas não é fundamental. Ainda mais nos dias de hoje, em que os ídolos são cada vez mais jovens e os jogadores mais velhos duram menos tempo em atividade.

O Boston Celtics viveu de tradição por muito tempo. O pivô Bill Russell conquistou 11 títulos com a mesma camisa verde e branca, na década de 60. E o trio Larry Bird, Kevin Mchale e Robert Parish atuaram juntos cerca de 14 anos, vencendo três campeonatos da NBA, na década de 80.

Os anos 90 chegaram e com ela uma nova fase do basquete mundial e da administração do esporte como um todo. Jogadores eram negociados constantemente e os pequenos times tornavam-se grandes. O Los Angeles Lakers, que era tão tradicional quanto os Celtics, acompanhou essa mudança.

Os Celtics passaram quase duas décadas de frustrações. Até a temporada passada, quando os dirigentes do Boston ousaram e trouxeram dois jogadores de peso para atuar ao lado do prata-da-casa, Paul Pierce. O problema é que Kevin Garnett e Ray Allen não eram mais revelações. Eram jogadores experientes em busca de um sonho, o título da NBA.

Com o objetivo alcançado em 2008, Garnett e Allen passaram de jogadores experientes a jogadores veteranos. E o Boston Celtics que havia se renovado, após duas temporadas voltava a ser um time de tradição e velho.

No momento em que se esperava uma grande contratação para agitar Boston, a franquia vem com uma surpresa chocante. Outro jogador veterano, com título de NBA, fará parte do elenco, o ex-ala polêmico do Detroit Pistons, Rasheed Wallace.

Sendo assim, o time titular do Boston Celtics para a temporada 2009/2010 terá Garnett, 33 anos; Wallace, 34; Allen, 33; Pierce, 31; e Rajon Rondo, 23. Uma média de quase 31 anos de idade, a mais alta da liga.

É... Rajon Rondo, você vai ter que correr muito.

Guilherme Buso é jornalista formado pela Universidade Metodista e, atualmente, é reporter da Federação Paulista de Futebol e escreve sobre NBA para o BLOG Squad Brasil.


Imagem:
NBAE/Getty Images

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Adilson será o primeiro brasileiro?

Por: Rafael ZitoNa quarta-feira, o Cruzeiro tem uma decisão pela frente diante do Estudiantes, no estádio do Mineirão. Depois de empatar por 0 a 0 o primeiro jogo da final da Libertadores, em La Plata, na Argentina, o time mineiro recebe os argentinos para decidir o título aqui no Brasil. Essa é a chance para Adilson Batista se tornar o primeiro brasileiro a conquistar o feito inédito na carreira de ser o primeiro a ser campeão da Libertadores como jogador e também como técnico.

Em 1995, Adilson era um dos zagueiros titulares do Grêmio campeão da competição continental diante do Atlético Nacional, da Colômbia. Além de ser titular, Adilson era o capitão daquele Grêmio comandado pelo técnico Luiz Felipe Scolari. Naquela decisão, o Grêmio bateu o Atlético por 3 a 1 no estádio Olímpico e, em Bogotá, o time gaúcho conquistou um empate por 1 a 1 e sagrou-se bicampeão da América. Aquele Grêmio campeão tinha a seguinte formação: Danrlei, Arce, Rivarola, Adílson e Roger; Dinho, Luiz Carlos Goiano, Carlos Miguel e Arílson; Paulo Nunes e Jardel.

Em 49 edições da Libertadores, apenas três profissionais conquistaram o título da competição como jogadores e depois quando se tornaram técnicos. Se vencer o Estudiantes na quarta-feira, Adilson entrará para um grupo restrito formado pelos argentinos Nery Pumpido e Humberto Maschio e pelo uruguaio Luís Cubilla. Ou seja, Adilson pode ser o primeiro brasileiro a colocar seu nome para a história. O primeiro a chegar a essa condição foi o argentino Maschio. Ex-volante do Racing Clube, campeão da Libertadores em 1967 sobre o Nacional (URU), Maschio se tornou técnico e comandou o Independiente na conquista de 1973, contra o Colo Colo (CHI).

O segundo profissional a atingir esse feito foi o uruguaio Cubilla. Não só chegou, mas obteve conquistas que dificilmente será ultrapassado. Cubilla foi tricampeão como jogador e ganhou duas vezes como técnico. Quando ainda era volante, o uruguaio levantou as taças de 1960 e 1961 pelo Peñarol, com vitórias sobre Olímpia e Palmeiras, respectivamente, e 1971 pelo Nacional, batendo o Estudiantes. Depois desses três títulos, Cubilla se tornou treinador e ergueu o troféu mais duas vezes. Em 1979, Cubilla comandava o Olímpia campeão diante do Boca Juniors em dois jogos. Em seguida, 1990, à frente do mesmo Olímpia, Cubilla foi campeão sobre o Barcelona (EQU), seu último título do torneio sul-americano.

O último a atingir esse status foi o ex-goleiro Nery Pumpido, campeão pelo River Plate, em 1986, em cima do América de Cali, defendendo a meta do clube argentino. Após 16 anos, Pumpido estava no banco de reservas do estádio do Pacaembu em 2002, quando o Olímpia superou o São Caetano e deu a Pumpido seu segundo título na carreira, o primeiro como treinador. Depois de perder no Paraguai, por 1 a 0, o Olímpia conseguiu bater a equipe brasileira, em São Paulo, por 2 a 1 e levou o troféu na disputa de pênaltis com uma vitória de 4 a 2. Na quarta-feira, Adilson Batista pode ingressar essa lista, caso o Cruzeiro conquiste o tricampeonato sul-americano, o primeiro de Adilson como treinador.

Imagens:
Adilson Batista - Rejane Araújo / VIPCOMM

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Perto de acertar com o Palmeiras, Muricy terá vida dura pela frente

Por: Rafael ZitoO Palmeiras oficializou a proposta ao técnico Muricy Ramalho nesta quarta-feira à tarde. Neste mesmo dia o treinador deu algumas entrevistas dizendo que o acerto pode acontecer “a qualquer momento”. Os fatos ocorridos no dia de hoje deixam claro para mim que o ex-técnico do São Paulo será o novo técnico do Verdão. A diretoria alviverde deu um prazo para Muricy tomar uma decisão. A cúpula do Palmeiras aguarda uma resposta até sexta-feira. Confesso que ficaria muito surpreso se a resposta for negativa.

Projetando o acerto entre as partes, uma pergunta fica no ar. Qual a expectativa para o trabalho do Muricy à frente do Palmeiras? Não tenho dúvidas da capacidade do treinador, como alguém pode questionar um cara que, dos últimos quatro Campeonatos Brasileiros, conquistou três e foi vice-campeão em 2005. Porém, não adianta ter o melhor técnico do Brasil se o clube não oferece as melhores condições para o comandante exercer seu trabalho. Com relação à estrutura, o Palmeiras está longe de oferecer ao comandante o que o Tricolor oferece. Assim como o Corinthians, o Verdão está em bem atrás do São Paulo no que se refere a condições de trabalho.

Outra dificuldade que acho que o Muricy terá que enfrentar é a resistência de uma grande parcela da torcida do Palmeiras. Tenho convicção que boa parte da torcida do alviverde receberá o treinador de braços abertos, porque esses “inteligentes” torcedores sabem que ele é um dos técnicos comprovadamente qualificados e que pode dar um jeito nesse time. Porém, assim como acredito que será bem quisto por alguns, também estou certo de que sua identificação com o São Paulo poderá prejudicar seu trabalho na Academia de Futebol.

O treinador perceberá também a diferença que é ser técnico do Palmeiras em relação a ser comandante do Tricolor. Acostumada a “Academia” dos tempos de Ademir da Guia, a torcida palmeirense é uma das mais chatas do futebol brasileiro. Parece que nunca está satisfeita, já que preza muito o futebol arte, o toque de bola, o futebol bonito. O estilo de Muricy não combina muito com a história do Verdão, assim como Felipão não combinava e, no final das contas, virou ídolo da torcida. Porém, se é chata por um lado, Muricy pode ter certeza que a torcida do Verdão é muito mais atuante do que os adeptos são-paulinos, ausentes e distantes na maior parte das competições.

O acerto deve ocorrer no máximo na sexta-feira. Se estiver propício a aceitar, Muricy precisa estar ciente do que vai ter pela frente. A chamada “turma do amendoim”, que era impiedosa com Vanderlei Luxemburgo, seguirá incomodando. Além disso, encontrará pela frente um time com vários problemas técnicos, um elenco de qualidade técnica baixa e com poucas opções para variações. Muricy é capaz de fazer esse time jogar, porém terá vida dura pela frente.

Imagem:
Muricy Ramalho - VIPCOMM

terça-feira, 7 de julho de 2009

O malabarista

Por: Felipe Simi



“Apesar de parecer terrível, suponho, o fato de Hitler (Adolf, ditador alemão, 1889-1945) ter convencido pessoas a fazer o que queriam ou não, ele era capaz de fazer as coisas acontecerem.”

Uma constatação simples. Nada de mais. Desde que não tivesse saído da boca de Bernie Ecclestone, chefe comercial da Fórmula 1, durante uma entrevista no último sábado para um dos diários mais importantes do mundo, o tablóide inglês The Times.

Dois dias depois, lá estava ele, cercado dos pés à cabeça por repórteres, microfones e câmeras, tratando de colocar os pingos nos is. “Tudo isso foi um grande mal entendido. Não usei Hitler como um exemplo positivo, mas, sim, como alguém que, antes de fazer o que fez, trabalhou muito bem contra o desemprego e os problemas econômicos.”

Para os judeus, sobraram desculpas. “Nunca foi minha intenção ferir os sentimentos de nenhuma comunidade”, disse, encerrando o assunto.

No fim do mês passado, o papel de Ecclestone como mediador da crise entre FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e Fota (Associação das Equipes da F-1) que ameaçava o campeonato do ano que vem foi classificada como “malabarista” por um dos membros do Conselho Mundial de Automobilismo.
A crise passou e, graças ao pouquinho de Hitler que existe em Bernie, a F-1 está salva.


Imagens: www.tazio.uol.com.br

segunda-feira, 6 de julho de 2009

"Meu filho, você é o escolhido. Pode ir, vai lá..."

Por: Lucas RenatoEm algum momento, Roger Federer ouviu essas palavras. Ele acreditou e aproveita cada segundo, cada momento por ter sido o escolhido. Depois do que vivemos ontem, não dá mais pra negar. Ele é o melhor da história, o mais técnico, o que menos sente a pressão dos grandes pontos. Ele faz aquilo que só ele é capaz de fazer. Por isso, neste domingo, tornou-se o maior vencedor de Grand Slams do mundo. 15 títulos com apenas 28 anos. Em todos os pisos: grama, terra e cimento. Como se não bastasse, Federer voltou a ser o número 1 do ranking. Tirou Rafael Nadal do topo.

Seu adversário, Andy Roddick, foi um verdadeiro gigante. Sem a menor dúvida, ele fez a melhor partida de sua vida. Perdeu porque faz parte do esporte. Andy mostrou coisas que nunca foram suas marcas registradas: tranquilidade, concentração, frieza e, principalmente, encarar Roger de igual pra igual.

5-7, 7-6, 7-6, 3-6, 16-14. Partida mais equilibrada seria impossível. O detalhe definiu o vencedor. Roddick teve, ao longo da partida, 38 games de serviço. Ganhou os primeiros 37... Perdeu o trigésimo oitavo. O último game da partida. Perdeu o jogo. Na única vez que foi quebrado, Andy deparou-se com o vice-campeonato de Wimbledon. Mas saiu de cabeça erguida. Sem dúvida, ele fez a melhor partida de sua vida.

Roddick, pra não dizer que teve a partida nas mãos, esteve muito perto de se tornar o vencedor de Wimbledon. Venceu o primeiro set e tinha 6-2 no tie break do segundo. Permitiu a virada de Federer, que estava visivelmente abalado àquela altura. Jogando contra o "escolhido", Andy não poderia deixar escapar a chance de sentar na cadeira vencendo por 2 a 0. Ele permitiu e acabou perdendo a partida.

2009, sem dúvida, terá um espaço marcante na bibliografia de Federer. Casou-se em abril, venceu Roland Garros, completando os 4 Grand Slams, venceu mais uma vez Wimbledon e, de quebra, passou Pete Sampras, tornando-se o maior vencedor de majors do tênis.

Em agosto, nasce o seu primeiro filho. Alguém, um dia, disse: "Meu filho, você é o escolhido. Pode ir, vai lá..."

Imagem:
Roger Federer – Agência Getty Images

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Copa “Gladiadores” da América

Por: Sabrina Machado

Mineirão, 19 de fevereiro de 2009. O Cruzeiro estreia na Copa Libertadores, vence o Estudiantes de La Plata por 3 a 0. Kléber marca o último gol da Raposa, recebe cartão amarelo por causa da comemoração e dois minutos depois é expulso devido a uma falta dura no argentino Verón.

Podemos falar do talento incontestável de Ramires, das grandes defesas do goleiro Fábio, dos gols do Wellington Paulista e do ótimo trabalho realizado pelo técnico Adilson Batista. Mas esse time do Cruzeiro tem um símbolo único, e dentro de campo não se trata da Raposa, e sim, de um guerreiro, um combatente, um gladiador.

Libertadores é isso sim! Tem que lutar, acreditar até o fim. Jogar aquele primeiro jogo contra o Estudiantes como se já fosse a final. Sport, Palmeiras, São Paulo e agora o Grêmio, caíram pelo caminho. O azul celeste resiste. O Cruzeiro chega até a final da Copa Libertadores com todos os méritos possíveis. Comandado por um jogador diferenciado, o nome dele é Kléber.

Digam o que quiser. Que ele é polêmico, cabeça quente e todos os outros adjetivos. Digo o contrário. Ele tem talento e, além disso, aposto com quem quiser que nunca veremos esse jogador jogando como outro tantos “chinelinhos” por aí. E mesmo caçado em campo como foi nos últimos jogos, Kléber soube se desvencilhar do seu temperamento difícil e resistir a possíveis expulsões.

Esse rapaz precisa ser orientado e o técnico cruzeirense conseguiu “domar” a fera, ao menos por enquanto. Fica a lição para a diretoria palmeirense que não conseguiu o dinheiro para manter Kléber na equipe e agora perde Keirrison que segundo Edmílson vai ter que mudar seu jeito de jogar se quiser brilhar na Europa.

Parabéns cruzeirenses! Que se cuidem nossos hermanos!

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Reauters

De vice a campeão! O que mudou no Corinthians de 2009?

Por: Rafael Zito
O Corinthians sagrou-se nesta quarta-feira, tricampeão da Copa do Brasil, mas para chegar a mais uma final, o trabalho foi árduo e começou em dezembro de 2007, quando a diretoria corintiana contratou o técnico Mano Menezes. O treinador tinha a missão de recolocar o clube na elite do futebol brasileiro e resgatar a auto-estima dos profissionais que trabalhavam no clube e da torcida corintiana. Assim como era esperado, o trabalho não foi nada fácil e o clube teve que, literalmente, reconstruir toda a equipe, contratando mais de 14 jogadores.

A campanha no Campeonato Paulista de 2008 foi aquém das tradições do clube, no entanto, pelo momento que vivia, a quinta colocação deveria ter sido comemorada, porém, este foi o primeiro momento em que Mano foi contestado no cargo. Antes mesmo de sair do Paulistão, a equipe alvinegra havia perdido o primeiro jogo para o Goiás, nas oitavas de final da Copa do Brasil, por 3 a 1, o que deixou o Timão em situação complicada na competição. No jogo de volta poucos acreditavam que o Corinthians teria condições de reverter o placar, entretanto, o time entrou inspirado em campo e, com muita raça, bateu o Goiás, por 4 a 0, resultado que fez o time arrancar no torneio e ser brecado apenas na decisão contra o Sport.

A final contra o Sport foi um capítulo a parte. Após ganhar de 3 a 1 em casa, acreditava-se que o time de Parque São Jorge estava muito próximo da taça. Mas, no dia 11 de junho de 2008, os corintianos foram para Recife e sucumbiram diante da equipe do Sport. Esse foi o pior momento de Mano Menezes no comando do clube. O clube passou por uma fase conturbada e só se acertou graças à serenidade do treinador corintiano. Nesta decisão da Copa do Brasil, Mano Menezes escalou a seguinte equipe: Felipe; Carlos Alberto, Chicão, William e André Santos; Fabinho, Eduardo Ramos, Alessandro, Diogo Rincon e Dentinho; Herrera. Durante o jogo, o técnico ainda colocou Lulinha, Acosta e Wellington Saci.

Após sofrer um período de pressão devido a perda do título, o Corinthians continuou com seu maior objetivo: retornar à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Durante a Série B chegaram ao clube jogadores como Elias, Cristian, Morais e Douglas, jogadores que, sem dúvida, aumentaram e muito a qualidade do time. Já na Série B o clube planejava o ano de 2009. Mano Menezes projetou um trabalho e está aplicando de tal forma que os resultados foram colhidos em longo prazo e, já em 2009, o Corinthians sagrou-se campeão Paulista. Em pouco mais de um ano o clube saiu do poço e voltou a figurar entre os favoritos aos campeonatos de maior repercussão no futebol estadual e nacional.

A derrota para o Sport doeu muito nos corintianos, mas o resultado obtido já era fruto de um trabalho. Naquela decisão, seis titulares continuam na equipe base que enfrentou o Inter, nesta quarta-feira. O goleiro Felipe, os defensores Alessandro, Chicão, William e André Santos, e o atacante Dentinho permanecem figurando entre os onze titulares de Mano Menezes. No entanto, é inegável que as entradas dos volantes Cristian e Elias, do meia Douglas, do atacante Jorge Henrique e, principalmente, do atacante Ronaldo fizeram com que o Corinthians se solidificasse como umas das equipes mais forte do País e, por isso, conseguiu conquistar seu segundo título em menos de sete meses.

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